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Crise nas empresas de Eike ‘arranhou’ imagem do Brasil, diz Mantega

Ministro reconhece que possível calote das empresas atrapalha desempenho da economia brasileira

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou nesta segunda-feira que o desempenho ruim das empresas de Eike Batista “arranhou” a reputação do Brasil. Mantega compareceu a um evento organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) durante a manhã e foi questionado por jornalistas sobre o possível calote das empresas de Eike – em especial a OGX, que deve deixar de honrar as obrigações com o vencimento de títulos nesta terça-feira. “É preciso estancar essa sangria para não ferir nossa reputação amanhã, que é muito boa”, afirmou.

O mercado espera um calote de 44,5 milhões de dólares da petroleira de Eike. “A situação da OGX já causou problema para a imagem do país e para a Bolsa, que já teve uma deterioração de 10% por conta dessas empresas”, disse ele. Segundo o ministro, a crise das empresas “continua atrapalhando” o desempenho da economia brasileira. “Espero que eles consigam se ajeitar o mais rápido possível”, disse o ministro.

Recuperação judicial – Conforme informou a coluna Radar, de Lauro Jardim, dentro de duas semanas a OGX vai entrar com pedido de recuperação judicial, assim como a OSX, estaleiro do grupo de Eike, que detém contratos com outras empresas “X”.

Durante o processo de recuperação judicial, as empresas devem criar um programa de gestão para saldar suas dívidas e continuar funcionando, evitando, assim, a falência. A recuperação judicial equivale à antiga “concordata”. Esse processo garante proteção da empresa contra ações judiciais de credores. Em geral, os funcionários são os primeiros a serem ressarcidos.

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Ao todo, a petroleira deve cerca de 3,6 bilhões de dólares em bônus de dívida emitidos no exterior, sendo 1,06 bilhão de dólares que vencem em 2022 e outros 2,6 bilhões com vencimento em 2018. O pagamento da próxima terça-feira se refere aos juros sobre bônus para 2022, enquanto os bônus para 2018 têm um pagamento de cupom que vence em dezembro. As consultorias Lazard e Blackstone Group foram contratadas para ajudar a OGX a resolver seu problema de dívida.