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Covid-19: Novo respirador artificial passa a ser desenvolvido no Brasil

Mecanismo de oxigenação extracorpórea funciona como um pulmão auxiliar; tecnologia é 100% nacional e deve ficar pronta em oito semanas

Por Larissa Quintino - Atualizado em 25 mar 2020, 15h48 - Publicado em 25 mar 2020, 15h08

Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) anunciou nesta quarta-feira, 25, investimento para desenvolver um novo tipo de respirador para auxiliar o tratamento de pacientes com perda de capacidade respiratória. Com o avanço da epidemia causada pelo coronavírus, a demanda por equipamentos para a respiração mecânica e artificial aumentou. O equipamento a ser produzido pela Braile, empresa de equipamentos médicos, consiste na Oxigenação por Membrana Extracorpórea, ECMO em inglês, uma forma de respiração extracorporal. Ela será utilizada como suporte ao tratamento mecânico, oferecendo ao paciente um “pulmão auxiliar” no caso de a ventilação não estar surtindo efeito no tratamento do paciente.

O custo do projeto é de 2,3 milhões de reais. A Embrapii pagará metade do projeto e o restante será feito pelo Instituto Eldoraro, credenciado a empresa e para desenvolver projetos de inovação industrial. 

O equipamento oxigena e remove o gás carbônico (CO2) diretamente do sangue. Há um circuito padrão, no qual o sangue das veias é removido do paciente, bombeado até um oxigenador e depois devolvido ao corpo por meio de uma artéria ou uma veia.

Embora já exista no exterior equipamentos com estas funcionalidades, a tecnologia é pioneira no Brasil e trará maior eficiência, aprimorando os procedimentos médicos a custos mais baixos. A produção será 100% nacional. A tecnologia deve ficar pronta em oito semanas e, depois disso, um lote inicial com 100 equipamentos deve ser produzido e enviado aos 21 centros capacitados na operação de respiração extracorpórea. 

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Além do tratamento para insuficiência respiratória aguda, uma das consequências em casos graves da Covid-19, o uso do equipamento também é indicado para adultos ou crianças em casos de transplante de coração, infarto do miocárdio e parada cardíaca. 

Segundo Rafael Braile, diretor da Braile, a terapia foi amplamente usada no mundo durante o surto de H1N1, entre 2009 e 2010. “Na época, tivemos o aumento em 100 vezes de sua utilização e os resultados foram positivos. Como a Covid-19 ainda é recente, não temos dados exatos dos resultados de sua aplicação, mas nos baseamos na curva de experiência do Influenza. Também estamos observando os casos da Coreia do Sul e Japão, onde a ECMO tem sido oferecida para suporte no tratamento do Coronavírus. Nesses países, a curva de mortalidade tem sido menor e essa é justamente a tentativa, de diminuir essa curva”, afirma.

Segundo o boletim mais recente divulgado na terça-feira pelo Ministério da Saúde, o número de mortos em decorrência da Covid-19 chegou a 46 no Brasil e o número de casos confirmados a 2.201.  

A produção do produto com o desenvolvimento da tecnologia nacional é possível já que a Anvisa publicou, no dia 19 de março, a resolução RDC nº 349, que modifica os critérios para petições de registro de produtos e equipamentos destinados ao tratamento e combate à Covid-19. Assim, empresas poderão registrar produtos, tanto fabricados no Brasil, como importados, em menor tempo.

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Para ajudar na produção de tecnologia para o combate da Covid-19, a Embrapii ampliou o financiamento de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação com recursos não reembolsáveis (que não precisam ser devolvidos pela empresa). O modelo tradicional da instituição, que arca com até um terço do valor dos projetos, foi flexibilizado e, a partir de agora, o estímulo será maior e avaliado de acordo com a necessidade de cada proposta. Além dos recursos não reembolsáveis, a Embrapii destinou 6 milhões de reais às startups e pequenas empresas, para a criação de soluções que amenizem o impacto da crise. Desse total, 2 milhões de reais vieram da parceria com o Sebrae.

Montadoras vão consertar respiradores

As montadoras brasileiras, que entraram em férias coletivas devido a queda da demanda de veículos e também para evitar a proliferação do coronavírus entre seus funcionários, farão uma linha de montagem para consertar respiradores artificiais que estão quebrados. Até o momento, a General Motors informa que foram mapeados 3.000 equipamentos fora de operação.

O objetivo da força-tarefa, da qual fazem parte também o Ministério da Economia, SENAI e a Abeclin (Associação Brasileira de Engenharia Clínica), é consertar 100% dos aparelhos. Isso envolve a logística de buscar nos hospitais, levar até uma fábrica mais próxima, consertar com a mão de obra técnica voluntária treinada pelo SENAI e, depois de funcionando, o equipamento retorna para o hospital de origem para ser usado no combate ao Covid-19.

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