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Coreia do Norte alivia discursos, mas mantém programa nuclear em 2011

Atahualpa Amerise.

Seul, 7 dez (EFE).- A Coreia do Norte diminuiu em 2011 a intensidade de seu discurso contra a comunidade internacional e iniciou uma aproximação dos Estados Unidos e da Coreia do Sul para reabrir as negociações sobre o fim de seu programa nuclear, paradas desde 2008.

No entanto, o país asiático, um dos mais isolados do mundo, não interrompeu seu programa de enriquecimento de urânio. Já no plano político, o regime consolidou a sucessão de Kim Jong-il, que será substituído por seu filho, Kim Jong-un.

Ninguém sabe ao certo a idade do jovem, mas acredita-se que ele tenha, no máximo, 30 anos. Em 2010, Kim Jong-un apareceu publicamente quando foi nomeado general de quatro estrelas e vice-presidente da Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores.

No entanto, em todas as ocasiões ele estava junto de seu pai, que ainda é o governante de fato da Coreia do Norte. A saúde de Kim Jong-il, inclusive, não parece ter piorado desde a apoplexia que ele sofreu em 2008.

O ‘amado líder’, como é conhecido por seus súditos comunistas, insiste que o programa nuclear do país tem fins pacíficos, ao contrário do que diz a Coreia do Sul e os EUA, que acusam a Coreia do Norte de violar as resoluções da Onu.

A relação entre os dois vizinhos, em 2011, viveu uma espécie de ressaca do ano anterior, quando a Coreia do Norte bombardeou a ilha sul-coreana de Yeonpyeong. Por isso, este ano foi marcado por um endurecimento da política de Seul em relação a Pyongyang.

A Coreia do Sul reestruturou a cúpula do Exército, colocou suas forças armadas em alerta máximo e prometeu responder de forma contundente a qualquer futura provocação. E, no setor civil, restringiu intercâmbios e o envio de ajuda humanitária ao vizinho.

O regime de Kim Jong-il, por sua vez, adotou uma estratégia ambígua: por um lado, atacava o governo sul-coreano, e por outro, promovia encontros para reativar projetos entre os dois países e o envio de ajuda humanitária.

Em 2011, a Coreia do Norte também se mostrou disposta a voltar a dialogar com EUA, China, Rússia e a Coreia do Sul para pôr fim ao seu programa nuclear em troca de ajuda financeira e energética, embora tenha insistido que a negociação deveria começar sem nenhum tipo de exigência.

Esta postura foi rejeitada pela Coreia do Sul e os EUA, que insistiram para que o país termine com seu programa de enriquecimento de urânio e permita a visita de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

As duas Coreias chegaram a manter encontros bilaterais militares no começo do ano, mas que não tiveram grandes resultados. A tensão, no entanto, foi diminuindo com o passar dos meses e em julho aconteceu um encontro inesperado: representantes de Seul e Pyongyang aproveitaram a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Bali, para prometer, após uma reunião, esforços para retomar as negociações.

Enquanto isso, Kim Jong-il manteve sua forte ligação com seu principal aliado, a China, e em maio realizou uma viagem ao país para reforçar a cooperação e as trocas com a segunda maior economia do mundo.

Em agosto, ele viajou para a Rússia pela primeira vez desde 2002, também com o objetivo de fortalecer as relações com o país e buscar acordos energéticos.

De forma paralela, representantes de Pyongyang mantiveram várias entrevistas ao longo do ano com representantes de Washington. A Coreia do Norte, no entanto, se mantém irredutível, e por isso as negociações sobre o programa nuclear do país continuam emperradas.

Nesse sentido, a China, que além de aliado político da Coreia do Norte é parceira econômica de Seul, tem, assim como a Rússia, uma postura ambígua, mas favorável à reabertura incondicional do diálogo com o país comunista. Já o Japão e os EUA exigem o fim do programa de enriquecimento de urânio do regime de Kim Jong-il. EFE