Coordenador da Receita é proibido de avaliar arrecadação

Teria partido do secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, a orientação para não comentar os dados,afirmou o coordenador-geral, Victor Lampert

Por Da Redação - 15 jul 2010, 17h47

A atitude do coordenador-geral causa estranheza pelo fato de o comentário sobre a arrecadação ser praxe do governo federal há anos

O coordenador-geral de Estudos, Previsão e Análise, Victor Lampert, negou-se nesta quinta-feira a fazer uma análise econômica e fazer previsões para os números da arrecadação federal em junho, que apontam para uma desaceleração do ritmo de crescimento verificado nos meses anteriores. A orientação para não comentar os dados partiu, segundo ele, do secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo.

A entrevista coletiva da Receita para explicar o resultado terminou em bate-boca e em clima de saia-justa, informou a Agência Estado. “O secretário (Cartaxo) me orientou a não fazer isso”, afirmou. De acordo com Lampert, Cartaxo deu a “pauta” do que ele poderia falar. “Não podem querer aqui que eu faça uma relação entre o comportamento da economia e a arrecadação”, disse ele, que começou a entrevista justamente comentando a “aderência da arrecadação” ao desempenho da economia.

A atitude do coordenador-geral causa estranheza pelo fato de o comentário sobre a arrecadação ser praxe do governo federal há vários anos. Além do mais, é importante para demonstrar que o governo é comprometido com a transparência dos dados do setor público.

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Confrontado pelos jornalistas com o fato de que seu cargo é responsável exatamente por analisar e prever a evolução das receitas, Lampert chegou a encerrar a entrevista prematuramente, levantando-se da cadeira e quase deixando o recinto, não fosse a intervenção da assessoria de imprensa do órgão. A ameaça se repetiu outras duas vezes.

O coordenador ainda se recusou a detalhar dados sobre Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e receitas com depósitos judiciais. Ele também não quis gravar com os jornalistas de rádio e televisão. E não permitiu que seu assessor fizesse os comentários para esses veículos. Alegou “não ter condições” de fazer a gravação.

“Pausa maior” em junho – Apesar da recusa em fazer análise, Lampert admitiu a ocorrência de uma “pausa maior na economia em junho”, informou a Agência Brasil. “Esses números aí são decorrentes de fatos econômicos ocorridos no mês de maio. Então, não estão refletindo essa desaceleração do crescimento”, afirmou.

Também admitiu que, de fato, há correlação entre os dados da arrecadação aos de atividade econômica. “A arrecadação está em 8,5%. Vejo uma boa aderência da arrecadação ao comportamento da economia. Significa que há grandes fatos fora de fatores econômicos influenciando a arrecadação”, explicou.

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