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Como a Selic a dois dígitos deve desacelerar a compra da casa própria

A alta taxa de juros encarece o crédito e, junto com a inflação, torna mais difícil a aquisição de um imóvel; por outro lado, aluguéis devem crescer

Por Luisa Purchio Atualizado em 8 fev 2022, 14h35 - Publicado em 8 fev 2022, 10h31

O ano de 2021 foi excepcional para o mercado imobiliário, que bateu recordes em número de vendas e lançamentos de unidades. Os bons resultados foram fruto da Selic a níveis historicamente baixos, em 2% de setembro de 2020 a março de 2021, o que barateou o crédito e incentivou as empresas a construírem novos empreendimentos. Agora, no entanto, o cenário mudou. Na semana passada, o Copom elevou a Selic a dois dígitos, para 10,75%, e no final do ano ela deve chegar a 11,75% de acordo com a projeção do mercado.

A alta Selic é altamente prejudicial para as vendas de imóveis, afinal, encarece o crédito e torna a parcela dos financiamentos mais altas. Para tornar o cenário ainda mais desfavorável, a inflação corrói o poder aquisitivo da população, que está com o menor nível de renda real desde 2011. De acordo com a Brain Inteligência Estratégica, o grande desafio do mercado imobiliário é, por um lado, se as pessoas poderão adquirir o imóvel que desejam e, do outro, se as incorporadoras – que também estão sofrendo com o aumentos dos custos – vão conseguir oferecê-los a preços acessíveis.

Um estudo sobre intenção de compra que realizou 1.200 entrevistas mostra que ela atingiu 40%, ante 37% em novembro do ano passado. Como há uma margem de erro de três pontos percentuais, o resultado se manteve estável. Mas apenas vontade de comprar não basta para impulsionar as vendas de imóveis. “Precisamos saber se ele vai ter dinheiro para comprar, o que depende da renda e da Selic”, diz Fábio Tadeu, sócio diretor da Brain Inteligência Estratégica. “Quando perguntamos para as pessoas quais fatores fariam com que elas desistissem de comprar um imóvel, metade delas respondeu que desistiria caso acontecesse alguma coisa, e as principais preocupações são com a inflação (45%), seguida por cenário político (23%), emprego (19%) e juros (18%)”, diz ele.

No ano passado, 255 bilhões de reais foram financiados pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), uma alta de 46% em relação a 2020. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) espera uma alta de 2% este ano, porém a consultoria Brain ainda é cética quanto a esse crescimento. “Se isso acontecer é maravilhoso, mas na nossa avaliação o desafio é grande e é mais provável que o crédito caia este ano por conta da inflação e da alta de juros”, diz Tadeu.

Aluguel de imóveis

Para Gustavo Favaron, CEO do GRI Club, um clube de relacionamento que conecta agentes do setor imobiliário, o mercado de aluguéis deve crescer este ano. “As pessoas continuam saindo de casa e quem não tem dinheiro para comprar aluga um imóvel. Muitos ‘players’ estão apostando no aumento dessa demanda e de aluguel”, diz ele.

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