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Com referendo na Grécia, diminui na Holanda apoio a resgate

Por Gilbert Kreijger e Aaron Gray-Block

HAIA (Reuters) – Os esforços do governo holandês para obter apoio parlamentar para o mais recente plano de resgate da zona do euro foram colocados em dúvida depois de o Partido Trabalhista, que é da oposição, dizer que o surpreendente plano para um referendo na Grécia rompe o acordo.

Os comentários sugerem fortemente que o Partido Trabalhista provavelmente não apoiará medidas de resgate durante um debate na noite desta terça-feira (horário europeu) na cidade de Haia e que o governo de coalizão, que é minoria, pode ter dificuldades em obter a maioria para o último acordo.

O partido governista Democrata-Cristão disse que um referendo grego seria “indesejável”, enquanto os Liberais, também da situação, afirmaram que cada país da zona do euro deveria cumprir o acordo de resgate acertado na semana passada, reportou a agência holandesa ANP.

A surpreendente decisão do premiê grego, George Papandreou, no final da segunda-feira, de anunciar um referendo sobre o resgate à Grécia atraiu ameaças da Alemanha e golpeou os mercados financeiros globais.

Políticos europeus acusaram Atenas de estar tentando se desviar do último acordo de resgate e demonstraram preocupação não tanto com o destino da Grécia, mas com a possibilidade de severas consequências para todo o bloco monetário.

“O Gabinete tem preocupação com o atraso, que pode ocorrer devido à incerteza com relação à Grécia”, disse o premiê holandês, Mark Rutte, em carta ao Parlamento, acrescentando ser necessário que o pacote de resgate acertado no mês passado pelos líderes do bloco seja implementado rapidamente.

Embora o pacote negociado na semana passada não necessite de aprovação formal de Parlamentos nacionais da zona do euro, o fracasso em obter o apoio da maioria sobre a questão pode forçar Rutte a voltar a Bruxelas e a pedir mudanças no acordo da semana passada, especificamente mais garantias de que regras orçamentárias sejam impostas no bloco de moeda única.

A coalização governista minoritária, formada pelos partidos Democrata-Cristão e pelos Liberais, precisa da oposição para aprovar os resgates à zona do euro, porque seu principal aliado, o Partido para a Liberdade –chefiado por Geert Wilders e que é contra a imigração– está fortemente oposto a tais resgates.

(Reportagem de Gilbert Kreijger e Aaron Gray-Block)