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Coronavírus: Santander revisa previsão do PIB para 1%

Banco estima que Selic será reduzida e que terminará 2020 a 3,75% ao ano

Por Larissa Quintino - Atualizado em 17 mar 2020, 14h39 - Publicado em 17 mar 2020, 14h04

O Santander revisou nesta terça-feira, 17, a previsão de crescimento da economia brasileira para 1%. A previsão inicial do banco para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 era de 2%, mas há duas semanas o Santander já havia falado em revisão para 1,7%. A mudança de cenário é a projeção dos efeitos que a epidemia do coronavírus possa causar na economia brasileira. A Secretaria da Saúde de São Paulo confirmou a primeira morte causada por Covid-19. Segundo o Ministério da Saúde, há 234 casos da doença confirmados no país.

A contração principal deve ocorrer no primeiro semestre do ano, com recuos na casa de 0,2% e 0,4% nos dois primeiros trimestres — o que ocasionaria a chamada recessão técnica. Porém, a projeção é que a economia acelere na segunda metade do ano terminando com um resultado positivo, mas bem aquém das previsões iniciais.  “Estamos trabalhando com um cenário no qual o impacto do surto de coronavírus vai se dissipando ao longo do ano”, afirma Maurício Oreng, economista do Santander, avaliando que o desempenho da economia será “truncado” durante o ano.

“Vai ser um choque importante. Vários setores, como o turismo, vão ser afetados. Pelo lado das famílias, alguns trabalhadores vão ser impactados. São condições piores para a recuperação”, afirma Oreng. 

O banco projeta crescimento baixo em todo mundo. A China, epicentro da pandemia de Covid-19, deve expandir 4%, enquanto Estados Unidos terá crescimento zerado e a Europa deve contrair 0,5%.

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O Santander também revisou a previsão para a taxa básica de juros, a Selic. Segundo Oreng, o BC deve ajustar em meio ponto porcentual já nesta quarta-feira (passando de 4,25% para 3,75%) e fazer mais um ajuste adicional durante o ano, terminando o ano com a taxa em 3,5% ao ano. Segundo o economista, o corte é possível em um cenário que a inflação continua comportada, o que gera a margem. “Não temos como fazer uma mexida como o FED fez, por exemplo, de 1%, mas acreditamos que haverá algum ajuste”.

Sobre o pacote do governo anunciado ontem pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que irá liberar 147 bilhões de reais para o combate dos impactos econômicos do coronavírus, o banco classificou a medida como a possível, já que há pouca margem fiscal com o teto de gastos. “Acreditamos que temos que cumprir a restrição, porque a politica monetária depende dela”, declarou. Entre as medidas anunciadas por Guedes estão o adiantamento do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS e a postergação de recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por parte das empresas por 90 dias.

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