Banco Master: Faltam provas de que houve fraude, diz ex-presidente do BRB
Em depoimento à Polícia Federal, Paulo Henrique Costa declarou que não há "evidência concreta" de fraude na venda de carteira do Master ao Banco de Brasília
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou à Polícia Federal que faltam provas concretas de que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, cometeu uma fraude ao vender carteiras de crédito – um negócio de 12 bilhões de reais – à instituição que comandava. Em depoimento prestado à Polícia Federal no mês passado, Costa declarou que “até hoje a gente não tem clareza de que isso foi uma fraude”.
Em outro momento, o ex-presidente do BRB acrescentou que não existe “uma evidência concreta de que essas carteiras tinham problema”. Como se sabe, no centro da crise que levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial do Master em 18 de novembro do ano passado, está a compra pelo BRB de carteiras de crédito em sucessivas transações entre janeiro e maio de 2025.
Segundo investigações da PF e do Ministério Público, há evidências de que tais créditos são fictícios, isto é, simplesmente não existem. Um dos indícios mais fortes, segundo as autoridades, é a mudança de versões apresentada pelo Master ao Banco Central para justificar a origem dos créditos. Inicialmente, a instituição de Vorcaro alegou que a carteira era proveniente de duas associações de servidores públicos da Bahia, a Asteba e a Asseba. Em seguida, atribuiu sua fonte a créditos concedidos a pessoas físicas em todo o país. Posteriormente, informou que a carteira foi comprada de outra empresa, a Tirreno.
Quando o BC apontou que a Tirreno não teria porte para gerar uma carteira de 12 bilhões de reais, o Master apresentou uma quarta versão: a de que a Tirreno apenas revendeu créditos que adquirira de outra companhia, a Carto.
No depoimento à PF, Costa admitiu que a carteira apresentada pelo Master e lastreada em créditos gerados pela Tirreno não atendia aos critérios técnicos do BRB, mas negou que isso configurasse uma fraude, limitando-se a afirmar que era apenas uma questão de falta de “clareza”. O ex-dirigente do Banco de Brasília reconheceu que, ao longo dos meses, notou uma “mudança de padrão documental e de originação do crédito”. Isto é, o Master passou a atribuir a carteira a outras empresas.
Mesmo com a documentação fora dos padrões exigidos pelo BRB, Costa afirmou que não havia indícios de fraudes, uma vez que os 12 bilhões de reais corresponderiam a mais de 1 milhão de contratos de crédito atribuídos a mais de 400 000 CPFs – e que a quitação de tais contratos estava ocorrendo dentro do esperado.





