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Banco Master: Faltam provas de que houve fraude, diz ex-presidente do BRB

Em depoimento à Polícia Federal, Paulo Henrique Costa declarou que não há "evidência concreta" de fraude na venda de carteira do Master ao Banco de Brasília

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jan 2026, 15h22 • Atualizado em 30 jan 2026, 15h46
  • O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou à Polícia Federal que faltam provas concretas de que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, cometeu uma fraude ao vender carteiras de crédito – um negócio de 12 bilhões de reais – à instituição que comandava. Em depoimento prestado à Polícia Federal no mês passado, Costa declarou que “até hoje a gente não tem clareza de que isso foi uma fraude”.

    Em outro momento, o ex-presidente do BRB acrescentou que não existe “uma evidência concreta de que essas carteiras tinham problema”. Como se sabe, no centro da crise que levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial do Master em 18 de novembro do ano passado, está a compra pelo BRB de carteiras de crédito em sucessivas transações entre janeiro e maio de 2025.

    Segundo investigações da PF e do Ministério Público, há evidências de que tais créditos são fictícios, isto é, simplesmente não existem. Um dos indícios mais fortes, segundo as autoridades, é a mudança de versões apresentada pelo Master ao Banco Central para justificar a origem dos créditos. Inicialmente, a instituição de Vorcaro alegou que a carteira era proveniente de duas associações de servidores públicos da Bahia, a Asteba e a Asseba. Em seguida, atribuiu sua fonte a créditos concedidos a pessoas físicas em todo o país. Posteriormente, informou que a carteira foi comprada de outra empresa, a Tirreno.

    Quando o BC apontou que a Tirreno não teria porte para gerar uma carteira de 12 bilhões de reais, o Master apresentou uma quarta versão: a de que a Tirreno apenas revendeu créditos que adquirira de outra companhia, a Carto.

    No depoimento à PF, Costa admitiu que a carteira apresentada pelo Master e lastreada em créditos gerados pela Tirreno não atendia aos critérios técnicos do BRB, mas negou que isso configurasse uma fraude, limitando-se a afirmar que era apenas uma questão de falta de “clareza”. O ex-dirigente do Banco de Brasília reconheceu que, ao longo dos meses, notou uma “mudança de padrão documental e de originação do crédito”. Isto é, o Master passou a atribuir a carteira a outras empresas.

    Mesmo com a documentação fora dos padrões exigidos pelo BRB, Costa afirmou que não havia indícios de fraudes, uma vez que os 12 bilhões de reais corresponderiam a mais de 1 milhão de contratos de crédito atribuídos a mais de 400 000 CPFs – e que a quitação de tais contratos estava ocorrendo dentro do esperado.

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