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Carnaval: aluguel pelo Airbnb deve movimentar R$ 92,7 milhões

Destinos mais procurados são Rio de Janeiro, Florianópolis e São Paulo; fluxo de pessoas deve movimentar outros setores da economia

Os brasileiros devem ganhar dinheiro extra alugando imóveis neste Carnaval. O aplicativo Airbnb, que permite anunciar ou reservar lugares para ficar durante uma viagem, espera que seus usuários gastem 92,7 milhões de reais com aluguéis de casas ou apartamentos para passar os cinco dias de festa. Ao todo, 158.000 usuários usaram a plataforma para reservar acomodações – número 60% maior do que no ano passado.

A cidade mais procurada pelos foliões foi o Rio de Janeiro, seguida por Florianópolis, São Paulo, Guarujá e São Sebastião – as duas últimas no litoral paulista. Os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo somam, sozinhos, quase 32 milhões de reais em aluguel pela plataforma.

Os números seguem tendências dos anos anteriores, mostrando que as praias ainda são os principais destinos para passar a temporada. Entre os locais que tiveram o maior aumento de reservas destacam-se capitais nordestinas e cidades em Santa Catarina. Porto Belo, no litoral catarinense, foi o destino que mais cresceu em número de buscas – a quantidade de interessados quadruplicou em relação a 2017.

Maceió e Fortaleza também estão na lista dos lugares que tiveram um salto nas procuras, experimentando, respectivamente, 122% e 115% de aumento. Junto com outras capitais, como Fortaleza e Salvador, as cidades devem somar uma renda de 5 milhões em aluguéis pelo app neste Carnaval.

Além disso, a empresa destaca que, fora os gastos com hospedagem, os viajantes que optam pelo aplicativo gastam, em média, três vezes mais que aqueles que se hospedam em hotéis. Em 2016, a movimentação de usuários do Airbnb injetou 2,5 bilhões de reais no PIB nacional, segundo estudo coordenado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Consumidores

Outros dois setores que devem ser aquecidos pela temporada são o de comércio e o de serviços. Uma pesquisa coordenada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que o Carnaval deve mobilizar 72 milhões de consumidores em todas as capitais do país.

O gasto médio nos cinco dias de festa será de 847,35 reais – valor que pode subir para 969,10 reais entre os homens e para 1.185,42 reais entre as pessoas das classes A e B. Bebidas como cerveja (57%), refrigerantes (52%) e água (52%), além de lanches (51%) e protetor solar (43%) serão os produtos mais consumidos no Carnaval deste ano, de acordo com o levantamento.

Em razão do aumento no fluxo de pessoas durante a temporada – 32% dos entrevistados viajarão a lazer, 27% viajarão para a casa de parentes e amigos e 20% participarão de eventos na cidade onde moram – o setor de transportes deve ser favorecido pela comemoração. Táxis ou serviços de transporte por aplicativos (31%) e passagens aéreas (24%) devem ser os mais procurados. Bares e restaurantes (50%) e hospedagens em hotéis e pousadas (23%) também estão na lista de gastos dos foliões.

Dívidas

Ainda em relação ao levantamento, os dados também demonstram que, embora 80% dos foliões tenha feito um planejamento para os gastos que farão no feriado, 20% disseram que vão aproveitar a data sem ter estipulado um teto de gastos ou juntado dinheiro para isso. Cerca de 40% dos consumidores admitiram ter o costume de extrapolar o orçamento quando festejam a data.

No Carnaval de 2017, 21% dos brasileiros ficaram com o nome sujo por causa de pagamentos relacionados com as festas. Entre os entrevistados que manifestaram a intenção de gastar no Carnaval de 2018, 31% estão com o CPF em cadastros de inadimplentes, principalmente os consumidores de 35 a 49 anos (41%) e das classes C, D e E (36%).

Como economizar

Para evitar gastar demais, vale a pena ficar de olho em algumas dicas. Quem vai viajar deve pesquisar locais, preços, pacotes e condições de pagamento que se encaixem no orçamento, segundo o educador financeiro Reinaldo Domingos, do canal Dinheiro à Vista. Manter os gastos em mente, reservar 30% do total da viagem como uma reserva para imprevistos e considerar as despesas pós-Carnaval, como o cartão de crédito, também é fundamental.

“Se perceber que a condição não está favorável, não dê o passo maior do que a perna”, orienta Domingos. “Avalie bem e considere fazer algo mais leve neste ano, como um passeio na própria cidade, ver os blocos de rua e se divertir estando com pessoas de que gosta, e deixe para fazer algo mais expressivo no próximo ano, programando-se desde agora.”

Já para quem vai ficar, o conselho é aproveitar as festas de rua, gastando apenas com o que for consumir. Uma alternativa é aproveitar promoções em atacados e levar cooler com bebidas e petiscos para a folia. Quem quiser economizar ainda mais sem deixar de aproveitar a festa pode reciclar a fantasia do ano passado, pegar emprestado de um amigo ou fazer a própria.