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CÂMBIO-Dólar volta a acompanhar exterior e sobe mais de 1%

Por Da Redação - 23 maio 2012, 11h40

SÃO PAULO, 23 Mai (Reuters) – O dólar tinha leve alta ante o real nesta quarta-feira diante da aversão ao risco no exterior, após ultrapassar 2,10 reais logo nos primeiros minutos da sessão e em seguida percorrer terreno negativo.

Às 11h39 (horário de Brasília), a moeda norte-americana avançava 1,06 por cento, para 2,1025 real, após atingir 2,1070 reais na máxima e 2,0690 reais na mínima da sessão.

Os investidores continuavam preocupados com a possibilidade de uma saída da Grécia da zona do euro. Segundo fontes afirmaram à Reuters nesta quarta-feira, cada país do bloco monetário deve preparar um plano de contingência individual na eventualidade de a Grécia decidir deixar a moeda única.

No entanto, de acordo com agentes de mercado, a publicação de uma instrução normativa no Diário Oficial da União desta quarta-feira sobre IOF em operações de derivativos levou a um descolamento da moeda norte-americana do exterior por alguns momentos.

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A Receita Federal publicou nesta quarta-feira a Instrução Normativa (IN) 1.271 para regulamentar a forma de cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de fusão de fundos de investimento.

Na mesma Instrução Normativa, o órgão consolida mudanças feitas anteriormente e reafirma a redução a zero da alíquota do IOF em operações com contratos derivativos para cobertura de riscos, decorrentes de contratos de exportação. Para essas operações não há mudança.

“Houve uma certa confusão no mercado sobre essa publicação, mas não teve mudanças de fato (na cobrança do IOF). Por isso o dólar chegou a cair, descolado dos mercados internacionais”, disse o economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos.

Em relação a uma cesta de moedas, o dólar ganhava 0,7 por cento, enquanto o euro recuava 0,80 por cento ante à divisa dos Estados Unidos.

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FORÇA PARA SUBIR

Os profissionais acreditam ainda que o dólar continua tendo força para subir ante o real, com o cenário externo negativo por conta de temores em relação a uma possível saída da Grécia da zona do euro e com autoridades do governo brasileiro descartando preocupações de repasse da alta do dólar à inflação.

Na segunda-feira, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que o repasse da alta da moeda norte-americana para a inflação tem diminuído ao longo do tempo. A avaliação é de que esse repasse, até o momento, é moderado.

“Já está determinado que o governo não vai querer defender um patamar específico. Isso ajuda o mercado a se sentir mais corajoso para apostar na alta (do dólar)”, disse Santos.

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Questionado sobre as recentes atuações da autoridade monetária no mercado de câmbio por meio de leilões de swap tradicional, Santos afirmou que o BC buscou corrigir uma distorção no mercado diante do acelerado movimento de valorização da divisa dos Estados Unidos, e não para defender um teto para a moeda.

O diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros, compartilha essa opinião. “O BC não está preocupado com a desvalorização do real. Ele está preocupado com a velocidade em que isso acontece”, afirmou.

O BC realizou um leilão de swap tradicional -operação que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro- na sexta-feira, quando o dólar avançava mais de 2 por cento, cotado próximo a 2,06 reais. Na última sessão, a autoridade monetária fez outras duas operações do mesmo tipo, diante de forte volatilidade da moeda.(Reportagem de Natália Cacioli; Edição de Camila Moreira)

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