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CÂMBIO-Dólar sobe 0,3% à espera de atuação do BC e após Copom

SÃO PAULO, 19 Abr (Reuters) – A expectativa de que o Banco Central faça dois leilões de compra de dólares ao longo do dia no mercado à vista, como fez nos últimos dias, mantinha o dólar em alta ante o real nesta quinta-feira, de acordo com operadores.

A redução da taxa Selic para 9 por cento, anunciada na quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que desestimula a entrada de capitais no Brasil, também pode estar colaborando para a alta, na avaliação dos profIssionais de mercado.

Às 11h26 (horário de Brasília), o dólar tinha alta de 0,32 por cento, a 1,8858 real. Na quarta-feira, a moeda norte-americana subiu 1,20 por cento, para 1,8797 real, a maior cotação desde 25 de novembro do ano passado.

“O mercado vai procurar a taxa que o BC quer, está tentando saber qual a taxa que ele quer, essa alta é por conta da atitude do BC, essa forma agressiva com que ele atuou nos últimos dias, comprando dólar a 1,88 real”, disse o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

Desde a quinta-feira passada, a autoridade monetária vem fazendo dois leilões no mercado à vista por sessão, muitas vezes com a moeda já em alta. Antes o mercado chegou a acreditar que o BC faria leilões apenas quando a moeda estivesse no patamar de 1,80 real, mas agora os investidores estão em dúvida sobre quanto a cotação deve subir para o BC interromper suas intervenções.

Para um operador que prefere não ser identificado, o movimento do dólar ante o real tem sido pouco influenciado pelo cenário externo. Além da expectativa de que o BC volte a atuar, a redução da taxa básica de juros pode estar contribuindo para a valorização da divisa norte-americana, segundo esse operador.

“Internamente, a queda na taxa de juros desestumula a entrada de capital externo e há quem acredite que os juros ainda possam cair em mais 0,25 ponto percentual”, disse.

Na véspera, o Copom decidiu por unanimidade reduzir a Selic em 0,75 ponto percentual, para 9 por cento ao ano. Trata-se do sexto corte seguido desde agosto passado, quando o BC iniciou o processo de afrouxamento da política monetária.

No comunicado divulgado após a reunião, o BC ainda deixou a porta aberta para mais reduções, sem indicar se o ciclo de queda dos juros terminou, segundo a opinião de parte dos agentes econômicos.(Reportagem de Danielle Fonseca; Edição de Hélio Barboza)