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Caixa segue BB, corta juros e promete mais

SÃO PAULO, 9 Abr (Reuters) – A Caixa Econômica Federal anunciou cortes de juros em várias linhas de crédito nesta segunda-feira, seguindo o que fizera o Banco do Brasil na semana passada, estendendo a ofensiva do governo para forçar a queda dos spreads bancários.

O pacote, que inclui financiamento mais barato para pessoas físicas e empresas, levou a Caixa a reservar um orçamento de 300 bilhões de reais para novos empréstimos este ano, montante 24 por cento maior do que o de 2011.

Com taxas até 88 por cento menores (caso da linha de cartão de crédito para clientes que recebem salário no banco, cujo juro mensal caiu para 2,85 por cento), a instituição prevê crescer pelo menos o dobro do sistema financeiro, elevando sua fatia de mercado de 12,8 por cento para 15 por cento até dezembro.

Foram anunciadas reduções agressivas em outras linhas para financiamento ao consumo (cheque especial, CDC, crédito para compra de automóveis). O juro do cheque especial foi cortado em até 67 por cento, enquanto as linhas de crédito rotativo de cartão de crédito foram cortadas em 40 por cento, e nos financiamentos consignados houve diminuição de 34 por cento.

Para empresas de pequeno e médio portes, a linha de capital de giro caiu de 2,72 por cento para 0,94 por cento ao mês, e poderá cair para 0,90 por cento mensais até junho.

“Estamos enxergando um novo momento no cenário bancário brasileiro e estamos saindo na frente”, disse o presidente da Caixa, Jorge Hereda, a jornalistas, ao anunciar os cortes, em meio a repetidas declarações de que a medida não foi reflexo de ingerência política.

“Essa decisão foi pensada; não é uma canetada como alguns acham”, disse Hereda. “É um movimento calculado; não vamos fazer o banco operar no prejuízo”.

Na semana passada, o BB também promovera cortes agudos de juros em linhas equivalentes. As ações do setor caíram forte na Bovespa, em meio ao temor de investidores de que as medidas promovam perdas significativas nas margens de todos os bancos, já que os cortes poderiam provocar uma concorrência nociva por clientes.

Em fevereiro, a Reuters antecipara que o governo federal ordenou que os bancos públicos cortassem os juros para forçar as instituições privadas a fazer o mesmo.

Às 16h38, o setor caía na bolsa. Itaú Unibanco caía 1,36 por cento, Santander Brasil recuava 1,39 por cento, e Bradesco tinha baixa de 0,65 por cento. O BB, o líder de perdas do índice no dia do anúncio, subia 0,12 por cento. O Ibovespa cedia 1,03 por cento.

CONCORRÊNCIA

No caso da Caixa, os cortes de juros vieram acompanhados de extensão de prazos e dos limites de crédito para algumas linhas, dependendo do relacionamento dos clientes com o banco. No capital de giro, o prazo máximo foi de 18 para 40 meses.

Para Hereda, a combinação de forte bancarização dos últimos anos com a expectativa de queda estrutural da taxa básica de juros no país está abrindo um cenário de maior concorrência entre os bancos, o que exige medidas mais ousadas.

A despeito da ênfase no discurso de que os cortes são uma estratégia de mercado e não apenas a obediência a uma ordem do governo, o executivo admitiu que a iniciativa é uma aposta.

“Se for preciso, mais pra frente a gente recua”, disse o executivo, admitindo que o nível de inadimplência da carteira pode ter leve alta nos próximos meses. O índice da carteira com recursos livres era de 3,1 por cento no final de 2011.

Por enquanto, porém, o discurso é de que reduções ainda maiores das taxas virão nos próximos meses, à medida que a Caixa for aumentando o relacionamento com clientes. O raciocínio é que, com taxa menores aos clientes, o peso da dívida cai e reduz o risco de calotes. E, mesmo com quem ficar inadimplente, a chance de recuperação também é maior.

Pelo menos no primeiro momento, os empréstimos para compra da casa própria ficaram de fora do pacote. Juros menores para imóveis para as faixas 2 e 3 do Programa Minha Casa, Minha Vida, no entanto, estão sendo estudados.

(Reportagem de Aluísio Alves)