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Brookfield terá de revisar 80% dos projetos no 2o tri

SÃO PAULO, 14 Mai (Reuters) – A revisão de custos de obras que prejudicou os resultados da Brookfield Incorporações de janeiro a março terá continuidade no trimestre até junho, com um saldo muito maior a ser revisto, afirmaram executivos da empresa em teleconferência marcada por uma série de interrupções e problemas técnicos.

Nos três primeiros meses do ano, a companhia contabilizou 30,7 milhões de reais em revisão total de custos dos projetos que possui, decorrente de aumentos de orçamento não previstos, o que impactou o lucro do período em 21,4 milhões de reais.

O número, entretanto, é equivalente a entre 15 e 20 por cento dos projetos da incorporadora, restando um saldo perto de 80 por cento a ser revisto até o final de junho, segundo o vice-presidente financeiro Cristiano Machado.

“Ainda estamos olhando… esperamos concluir o restante (da revisão) no segundo trimestre”, disse ele nesta segunda-feira.

As ações da Brookfield refletiam a decepção do mercado com o resultado e respondiam pela maior desvalorização entre os papéis do Ibovespa. Às 12h23, a ação caía 8,96 por cento, a 4,47 reais.

A companhia divulgou no sábado lucro líquido de 4 milhões de reais para o primeiro trimestre, comparado a 65,8 milhões um ano antes e bem abaixo da média de quatro previsões de analistas obtidas pela Reuters, de ganho de 60,3 milhões de reais.

“Estamos muito desapontados com nossos resultados financeiros”, afirmou na teleconferência o presidente-executivo da empresa, Nicholas Reade. “Acreditamos ter tomado as decisões corretas… esforços que levarão à melhoria de eficiência””, acrescentou, se referindo à profunda análise dos custos de construção.

O resultado do primeiro trimestre foi prejudicado também por um aumento no número de distratos e pelas despesas operacionais, ampliadas pela queda no lucro bruto.

Com o objetivo de aumentar o giro dos ativos, a Brookfield decidiu reduzir de forma significativa o desenvolvimento de seu banco de terrenos nos primeiros meses de 2012.

No primeiro trimestre, a empresa vendeu parte do terreno Tamboré (SP), por 46 milhões de reais, o que resultou em ganho de 4,6 milhões de reais, recebido em abril. A companhia fechou março com banco de terrenos potencial para 17 bilhões de reais em lançamentos.

Nos três primeiros meses do ano, os lançamentos somaram 380 milhões de reais, 18 por cento menores na comparação anual, e equivalentes a 8,4 por cento do ponto médio da estimativa de 4,25 bilhões a 4,75 bilhões de reais para 2012.

Já as vendas contratadas foram 25 por cento maiores em 12 meses, atingindo 795 milhões de reais, o que equivale a 19 por cento da média da previsão de vender de 4 bilhões a 4,4 bilhões de reais este ano.

(Por Vivian Pereira)