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Briga por liquidez e visibilidade na bolsa alavanca market maker

Por Da Redação - 6 out 2011, 12h37

* Em 2011, 44 empresas contrataram o serviço

* Instrumento pode abreviar entrada em índices

* Empresas ganham liquidez e maior visibilidade

Por Juliana Schincariol

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RIO DE JANEIRO, 6 de outubro (Reuters) – De tempos em tempos, a demanda pelos serviços dos formadores de mercados aumenta, especialmente em épocas em que temores de crise e mau humor dos investidores prejudicam o desempenho e a liquidez dos papéis.

Em 2011, 44 companhias –incluindo empresas do exterior que atuam no Brasil como BDRs não patrocinados — já contrataram os serviços, segundo os dados mais recentes da BM&FBovespa

“O market maker garante que sempre haverá alguém comprando a ação, mesmo que não seja pelo melhor preço”, afirma o economista Clodoir Vieira, da Souza Barros Corretora.

Boa parte das empresas que anunciaram a contratação, como Technos , BR Pharma , HRT Petróleo e Qualicorp , são novatas no mercado. Mas companhias sólidas e com trajetória mais longa também se utilizam o serviço, caso de Gol e Cosan — que inclusive fazem parte do Ibovespa.

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“O formador de mercado ajuda a fomentar as negociações. O papel que não tem liquidez acentuada, em momentos de turbulência, fica vítima e às vezes não tem negociação”, diz o estrategista-chefe da corretora SLW, Pedro Galdi.

Mas o formador de mercado não necessariamente vai trazer um volume maior para o papel, que depende também do humor do investidor e de fatores relacionados à vida da empresa.

Quando contratou o Itaúvest como formador de mercado, em julho, as ações da Gol giravam diariamente entre 18 milhões e 20 milhões de reais.

“A redução do guidance da Gol para 2011 diminuiu a atratividade para o papel, o que acaba impactando no volume negociado”, disse Galdi. Desta forma, atualmente, o papel tem girado entre 10 milhões e 12 milhões de reais por dia.

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Por outro lado, o resultado para algumas companhias é maior do que o aumento da liquidez. A ideia é iniciar um círculo virtuoso, em que o aumento dos negócios aumenta as chances de entrada do papel nos índices, como o Ibovespa.

Quando isso acontece, vários fundos com carteiras passivas atreladas aos índices têm que comprar os ativos.

“O papel também começa a ser mais visto pelo mercado e pode passar a ser acompanhado por mais analistas”, diz Vieira, da Souza Barros Corretora.

Foi o que aconteceu com a Alpargatas. Segundo o diretor-presidente, Márcio Utsch, o resultado foi mais do que o aumento da liquidez dos papéis.

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“Tínhamos apenas o Fator acompanhando a empresa, agora temos Safra e Bradesco…estamos fazendo road shows nos EUA e na Europa… e agora recebemos cerca de duas visitas de investidores estrangeiros por semana”, diz o executivo.

A companhia contratou o serviço em março deste ano. Antes disso, o volume negociado já vinha aumentando progressivamente desde 2010. Hoje os papéis negociam diariamente cerca de um milhão de reais.

“Ainda que a baixa liquidez seja um fator limitador, os sinais (de interesse de investidores pela companhia) são muito positivos”, afirmou Ustch.

O formador de mercado (market maker) é um serviço geralmente oferecido por uma corretora de valores, que por um prazo de seis meses a um ano oferece a garantia firme na compra ou venda dentro de determinada faixa de preço,o que concorre para aumentar a liquidez do papel e reduzir a volatilidade.

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No Brasil, o serviço foi contratado pela primeira vez em 2003 e hoje há quatro agentes formadores de mercado para ações. A bolsa também ampliou o serviço e hoje há formadores para renda fixa, debêntures, opções e fundos de investimentos imobilíarios.

(Reportagem adicional de Vivian Pereira; Edição de Aluísio Alves)

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