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BRF registra prejuízo de R$ 1,5 bilhão no segundo trimestre

O lucro bruto da empresa, influenciado por operações da Polícia Federal e pela greve dos caminhoneiros, caiu 55,4%

A BRF, maior processador de carne de frango do mundo, registrou um prejuízo líquido de 1,574 bilhão de reais no segundo trimestre do ano em meio a fortes perdas com operações da Polícia Federal envolvendo a empresa e a greve dos caminhoneiros. Em, igual período do ano passado, a empresa teve resultado negativo de 166 milhões de reais.

Esse resultado contabiliza impacto negativo de 288 milhões de reais com as operações Carne Fraca e Trapaça da PF, decorrente de gastos com advogados, devolução de produtos e outros efeitos. Já a greve dos caminhoneiros no fim de maio gerou perdas diretas de 75 milhões de reais com gastos logísticos adicionais, aumento da ociosidade e perda de estoques.

Desconsiderando itens extraordinários, o Ebitda ajustado recuou 47,1% na comparação anual, para 373 milhões de reais, com margem Ebitda ajustado de 4,6% ante 8,8% no mesmo período de 2017. A diminuição no Ebitda ajustado refletiu a queda na margem bruta devido ao aumento dos preços dos grãos e maiores despesas gerais e administrativas, disse a empresa.

O lucro bruto caiu 55,4% para 661 milhões de reais, com recuo de 10,4 pontos porcentuais na margem bruta para 8,1%.

A maior processadora de carne de frango do país disse que o segundo trimestre foi marcado pela continuidade do aumento dos preços dos grãos, que deve gerar impactos mais evidentes no custo da ração animal a partir do terceiro trimestre. “Dito isso, a carne de frango brasileira perde competitividade no cenário de frango global.”

A receita líquida consolidada totalizou 8,2 bilhões de reais, aumento de 1,9% na comparação anual, devido ao aumento de 4% nos volumes comercializados, principalmente no Brasil e no mercado Halal, mas com queda de 2% no preço médio no período. Halal é um método de abate de frangos, mas que segue as regras da religião muçulmana.

A melhor performance comercial no Brasil, decorrente do crescimento no volume de 8,6% ano a ano, e a contínua recuperação de preços em dólar no mercado Halal compensaram o desempenho mais fraco do mercado internacional, dadas as restrições do mercado europeu à BRF, o mercado russo ainda fechado para a indústria brasileira e as tarifas antidumping aplicadas temporariamente pela China, disse a empresa.

O resultado financeiro também piorou, ficando negativo em 792 milhões de reais, ante 695 milhões de reais negativos no mesmo período do ano passado.

A BRF encerrou o trimestre com dívida líquida de 15,696 bilhões de reais, alta de 1,7 bilhão de reais ante a dívida ao término do primeiro trimestre.

A alavancagem medida pela relação dívida líquida e Ebitda ajustado subiu para 5,69 vezes, ante 4,44 vezes no trimestre imediatamente anterior e 4,79 vezes no segundo trimestre de 2017. A empresa, contudo, reforçou que busca reduzir esse índice para 4,35 vezes ao fim de 2018 e para três vezes ao fim de 2019.