Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Brasileiro fecha semestre endividado e atolado em impostos

Nível de endividamento das famílias no cartão de crédito e no cheque especial é recorde. E o total de impostos pagos chega a 700 bi de reais já nesta segunda

Por Da Redação 27 jun 2011, 10h10

Uma conjugação de fatores levou à disparada do endividamento do consumidor. O pano de fundo foi o crescimento econômico registrado no ano passado

Uma montanha de impostos sufoca a população brasileira – que enfrenta o maior nível de endividamento já registrado. No início da tarde desta segunda-feira, os brasileiros terão pago 700 bilhões de reais em tributos e taxas federais, estaduais e municipais, conforme cálculo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). É a primeira vez que a marca de 700 bilhões em impostos pagos é atingida ainda no primeiro semestre do ano. Os brasileiros também começarão a segunda metade do ano, na sexta-feira, cheios de dívidas. De acordo com um estudo da LCA Consultores, o endividamento total das famílias no cartão de crédito, cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado, crédito para compra de veículos e imóveis corresponde a 40% da massa anual de rendimentos do trabalho e de benefícios pagos pela Previdência Social no país.

Impostômetro – O cálculo do IBPT sobre os tributos pagos até agora em 2011 mostra que cada brasileiro pagou, em média, mais de 3.670 reais em impostos neste ano. Depois de superar a barreira dos 700 bilhões – o que deve acontecer por volta das 14 horas desta segunda -, o montante de impostos pagos deve dobrar até o fim do ano, fechando 2011 em 1,4 trilhão de reais. No ano passado, a marca dos 700 bilhões de reais só foi atingida em 22 de julho, 25 dias depois que neste ano. Em 2008 e 2009, isso só aconteceu no início de setembro. Rogério Amato, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) – que mantém o relógio do Impostômetro, instalado no centro da capital paulista -, lembra que “nunca tivemos um crescimento tão grande da arrecadação, além de continuarmos em primeiro lugar nas taxas de juros mais altas do mundo”.

Dívidas – Os juros altos, aliás, impulsionam o crescimento do endividamento do brasileiro. Se, do dia para noite, os bancos e as financeiras decidissem cobrar a dívida total das pessoas físicas – ou seja, tanto os juros como o empréstimo principal, que chegou ao montante de 653 bilhões de reais em abril -, cada brasileiro teria de entregar o equivalente a 4,8 meses de rendimento para zerar as pendências. Em dezembro de 2009, a dívida das famílias estava em 485 bilhões de reais; ela subiu para 524 bilhões em abril do ano passado e, em abril deste ano, atingiu 653 bilhões. Apesar dos ganhos de renda registrados nesse período, as dívidas abocanharam uma parcela cada vez maior dos rendimentos da população. Quase um ano e meio atrás, a dívida equivalia a 35% da renda anual ou 4,2 meses de rendimento. Em abril, subiu para 40% da renda total.

O economista Wermeson França, responsável pelo estudo, observa que uma conjugação de fatores levou à disparada do endividamento do consumidor. O pano de fundo foi o crescimento econômico registrado no ano passado, quando o PIB cresceu 7,5%. Além disso, bancos e financeiras abriram as torneiras do crédito, com juros menores e prazos a perder de vista. Dados de outro estudo, a “Radiografia do Endividamento das Famílias nas Capitais Brasileiras”, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), confirmam o avanço do endividamento do consumidor. De janeiro a maio, 64% das famílias que vivem nas 27 capitais do país tinham dívidas, ante 61% em igual período de 2010. O valor médio da dívida subiu quase 18%, de 1.298 reais mensais, entre janeiro e maio de 2010, para 1.527 reais mensais em igual período de 2011.

(Com Agência Estado)

Continua após a publicidade
Publicidade