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Brasil sugere criação do ‘banco dos Brics’ em 2014

Mantega, que está na África do Sul para cúpula do grupo, afirma que nenhum país se opôs à ideia. Ministro sul-africano diz que há acordo para criar banco

Por Da Redação 26 mar 2013, 09h44

Em Durban, na África do Sul, para a 5ª cúpula dos Brics, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira que o Brasil propôs a constituição do banco de desenvolvimento dos cinco países que compõe o grupo – Brasil, índia, Rússia, China e África do Sul – em 2014. Segundo o ministro, nenhum dos países se mostrou contrário à criação do banco, mas o capital inicial ainda não foi decidido. A governança da nova instituição caberá aos cinco países, mas novos integrantes poderão ser aceitos. Pouco depois, o ministro sul-africano das Finanças, Pravin Gordhan, afirmou à agência de notícias France-Presse que um acordo já foi alcançada para a criação do banco: “Está feito”, afirmou. A iniciativa permitiria que os países reunissem recursos para obras de infraestrutura e também poderia ser usada, no longo prazo, como instrumento de crédito durante crises financeiras globais como a que assola atualmente a Europa.

Mantega disse que os detalhes ainda estão sendo discutidos, mas já existe consenso quanto à necessidade de investimento em infraestrutura para estimular o crescimento. O ministro da Fazenda disse ainda que os países têm de ampliar o mercado consumidor, mas que esse não é o caso do Brasil. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel,confirmou que a discussão para a criação do banco de desenvolvimento do grupo “avançou bastante”. “Faltam detalhes para reunião de amanhã (quarta-feira) entre os chefes de estado”, disse. A presidente Dilma Rousseff já está em Durban para reunir-se com os presidentes da Rússia (Vladimir Putin), China (Xi Jinping) e África do Sul (Jacob Zuma), além do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh.

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Em relação à crise que afeta o Chipre, o ministro descartou impacto direto no Brasil e disse ainda que as questões no Chipre mostram que os europeus ainda não conseguiram solucionar todos os problemas do continente. “A solução adotada mostra preocupação, mas sem impacto para o Brasil”, afirmou.

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Contexto – A cúpula, cujo tema é “A associação do Brics e da África para o desenvolvimento, a integração e a industrialização”, tem a crise econômica mundial como pano de fundo. Os representantes dos cinco países também discutirão a implementação de um fundo conjunto de reservas em divisas estrangeiras, assim como de um centro de estudos próprio e de um conselho de negócios do Brics. Os investimentos feitos na África pelos países do grupo, sobretudo a China, será outra das questões centrais da reunião, como indica o lema da cúpula.

Segundo dados do próprio grupo, os cinco países representam 42% da população mundial e 45% da força de trabalho existente no planeta. Em 2012, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul somaram 21% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, e o comércio entre eles alcançou 282 bilhões de dólares.

A sigla Bric foi cunhada em 2001 pelo economista Jim O’Neill, do Goldman Sachs, para descrever a guinada econômica global rumo aos mercados emergentes. A África do Sul aderiu ao grupo somente em 2010. Os países realizaram sua primeira cúpula em 2009 e têm sido criticados por constituir um bloco muito heterogêneo. Especialistas apontam que eles são nada além de uma mera sigla, já que têm dificuldades para encontrar uma causa comum a quatro continentes, com economias, sistemas de governo e prioridades radicalmente diferentes.

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