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Brasil precisa de novo modelo de captação de recursos para crédito imobiliário, diz Galípolo

Na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), chefe do BC explicou que a caderneta de poupança está encolhendo de forma que parece ser mais permanente

Por Camila Pati Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 abr 2025, 14h27 • Atualizado em 22 abr 2025, 14h39
  • Em audiência pública nesta terça-feira, 22, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que será preciso que encontrar novos modelos de captação para financiar o crédito imobiliário. O chefe da autarquia explicou que a caderneta de poupança está encolhendo de forma que parece ser mais permanente do que passageira e que será preciso fazer uma migração gradual para um novo modelo, recorrendo mais ao mercado de capitais.

    “A poupança é o mecanismo de financiamento e de funding para o crédito imobiliário. Há uma grande discussão quanto isso é conjuntural ou estrutural, eu sou daqueles que entendem que é uma redução mais estrutural e a gente vai precisar migrar para um novo modelo de funding, isso não vai ser feito dia para noite, isso tem que ser gradual”, disse Galípolo. “A gente vem discutindo já alternativas de funding se aproximando de captações de mercado para que a gente possa financiar o crédito imobiliário.”

    Inflação dos alimentos não é isolada

    O presidente  do BC também falou sobre o aquecimento da economia e as pressões inflacionárias. Ao responder a senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Galípolo afirmou que o Brasil “está crescendo mais do que o esperado nos últimos quatro anos” e já opera “próximo do que se pode chamar de pleno emprego”.

    Ele reconheceu que parte do avanço do PIB vem do “ganho de produtividade e da exuberância das safras do agro”, mas ressaltou que o impulso “não se resume ao campo”. Segundo ele, o país manteve um ritmo de expansão mesmo depois que os choques de oferta agrícola se normalizaram, o que sugere um ganho estrutural de produtividade.

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    O presidente do BC afirmou que a inflação dos alimentos não é isolada: “A inflação acima da meta está bastante disseminada, também não é algo pontual. Tanto que, ao olhar o IPCA de segmentos mais voláteis, administrados ou de alimentação a domicílio, a gente consegue enxergar uma inflação que está bastante acima da meta, fora inclusive da banda superior da meta, disseminada em vários produtos”.

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    Ele alertou que as projeções também pioraram: “As expectativas de inflação passam a sofrer desancoragem, é um elemento muito importante na gestão da política monetária o manejo das expectativas de inflação”.

    Galípolo citou que os prognósticos para 2025, 2026 e 2027 já se encontram acima da meta e completou: “Você reuniu elementos e fatores para iniciar um ciclo de aperto mais acentuado de política monetária, seja porque está olhando para expectativas, seja para atividade corrente, ou que está próximo ou no pleno emprego, seja também pelo cenário internacional”.

    A pesquisa Focus desta semana mostra que estimativa  do mercado é que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para a inflação, encerre 2025 a 5,57%. A projeção, no entanto, continua apontando para uma inflação acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com limite de tolerância até 4,5%

    Galípolo alertou que uma economia aquecida eleva o risco de pressões sobre preços. Ele antecipou que o Copom “continuará vigilante” na reunião de 7 de maio, quando decidirá o rumo da Selic, atualmente em 14,25 % ao ano.

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