Clique e assine a partir de 8,90/mês

Brasil e Argentina fecham acordo no setor automotivo

Índice "flex" teria sido estabelecido entre US$ 1,6 e US$ 1,7. Anfavea não concorda com a proporção

Por Da Redação - 4 jun 2014, 11h57

Os governos do Brasil e da Argentina acertaram nesta terça-feira a renovação do acordo automotivo por mais um ano com a volta do mecanismo “flex”, segundo informação da Agência Estado. O “flex” é uma proporção estabelecida entre as exportações e importações de modo que o comércio bilateral fique isento de Imposto de Importação.

A ministra de indústria da Argentina, Débora Giorgi, e o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Mauro Borges, teriam sido os responsáveis por fechar o acordo, que não agradou à Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea).

O governo brasileiro, segundo fontes, concordou em restabelecer o flex em torno de 1,6 dólar e 1,7 dólar, ou seja, para cada dólar importado pelo Brasil em produtos automobilísticos da Argentina, o Brasil teria direito de exportar 1,6/1,7 dólar para o país vizinho sem tarifa. A Argentina queria, inicialmente, a proporção de 1,3 dólar, enquanto a Anfavea, associação brasileira que representa o setor automotivo, queria 2,05 dólar. Diante da negativa brasileira em relação ao esperado pela Anfavea, a associação passou a defender que o índice ficasse pelo menos no mesmo patamar que vigorou até junho do ano passado, de 1,95 dólar

A preocupação da Anfavea é que o novo flex crie um piso baixo para o acordo definitivo que ainda será negociado ao longo dos próximos 12 meses. Na prática, o flex entre 1,6 e 1,7 dólar atende às necessidades do comércio bilateral, pois as exportações brasileiras não atingem esse patamar. O valor definitivo será fechado nos próximos dias.

Leia mais:

Fenabrave: venda de veículos cai 7,54% em maio

Continua após a publicidade

Anfavea insiste na prorrogação de acordo com Argentina

Produção de veículos em abril cai 21% em relação a 2013, mostra Anfavea

Desde julho do ano passado, as vendas bilaterais de automóveis e autopeças estavam no livre-comércio. A Anfavea defendia a prorrogação do acordo por mais dois anos nos termos atuais, mas os negociadores argentinos foram duros nas reuniões. Sem uma renovação do acordo automotivo, que vence no dia 30 de junho, as vendas dos dois países poderiam voltar a ser taxadas por Imposto de Importação.

Uma nova reunião foi marcada para quarta-feira da próxima semana em Buenos Aires. Em nota, o governo argentino informou que ambos os lados “coincidiram na importância de definir os últimos aspectos das negociações na capital argentina”, com a presença do ministro de Economia Axel Kicillof. Se o valor do flex for fechado até lá, há uma possibilidade de que o termo de renovação do acordo seja assinado nesse dia.

Além do acordo, ambos os governos se comprometeram a trabalhar nos próximos quatro meses na composição de uma lista de autopeças que podem ser fabricadas e homologadas no bloco regional. E quais devam ser importadas. O objetivo é reduzir a importação de autopeças de terceiros países de fora do Mercosul.

(com Estadão Conteúdo)

Continua após a publicidade
Publicidade