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Brasil dá primeiro passo para, enfim, ter caças suecos

Saab, Embraer e governo inauguram em Gavião Peixoto (SP) o centro de desenvolvimento onde serão montadas as aeronaves Gripen, destinadas à Aeronáutica

Por Vinícius Pereira Atualizado em 22 nov 2016, 19h21 - Publicado em 22 nov 2016, 18h58

A Embraer e a sueca Saab inauguraram nesta terça-feira o que pode ser considerado o primeiro passo no plano de renovação dos caças brasileiros com os modelos suecos Gripen.

O Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (Gripen Design Development Network – GDDN), localizado em Gavião Peixoto (SP), será o centro de desenvolvimento tecnológico do Gripen no Brasil para a Saab, fabricante sueca do modelo, e a Embraer.

O local no interior paulista abrigará a produção do caça e os ensaios de voo das aeronaves. Ao todo, quinze das 36 aeronaves serão montadas no Brasil e entregues entre 2019 e 2024.

  • Segundo a Saab, a entrega do centro estava dentro do cronograma da empresa. “O GDDN é o maior projeto que já fizemos para transferência de tecnologia. Ele será onde a inteligência e a tecnologia da aeronave serão desenvolvidos juntos”, disse Hakan Buskhe, presidente da Saab.

    O ministro da Defesa, Raul Jungmann, foi o representante do governo na inauguração. “Isso se tornará algo com certeza compartilhado entre Brasil e Suécia. Essa é uma enorme possibilidade e uma grande conquista”, afirmou Jungmann.

    O centro de Gavião Peixoto também deverá funcionar como local de estudos e transferência da tecnologia nórdica para o país, onde cerca de 350 funcionários da Embraer e do Saab devem trabalhar.

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    De acordo com a Saab, 100 engenheiros brasileiros já estão na Suécia para um intercâmbio de tecnologia. Outros 250 devem ir até o final do projeto.

    Projeto polêmico

    Anunciado em dezembro de 2013, o contrato comercial com a Saab inclui a compra das aeronaves de combate, suporte logístico e aquisição de armamentos necessários à operação dos aparelhos. O contrato assinado prevê a transferência de tecnologia entre os dois países, o que possibilitará ao Brasil, segundo o Ministério da Defesa, deixar de ser comprador para se tornar fornecedor de aeronaves de combate de última geração.

    Polêmicas, idas e vindas marcaram a escolha da fabricante. Os suecos concorreram com os americanos da Boeing e os franceses da Dassault, que chegaram a ser anunciados como vencedores pelo ex-presidente Lula, o que acabou não se confirmando

    As estruturas dos caças serão montadas em uma planta em São Bernardo do Campo, berço político do ex-presidente Lula. A compra dos caças tornou-se alvo de investigações do Ministério Público Federal.

    Os aviões suecos foram escolhidos pela Aeronáutica e pelo governo Dilma. O negócio estimado na época foi de 5,4 bilhões de dólares por 36 unidades do caça.

    Investigação

    O ministro da Defesa, porém, afirmou desconhecer as investigações do MPF sobre o negócio envolvendo o governo brasileiro e a empresa sueca. “Eu não tenho a informação de que há uma investigação. Mas se há, que todos sejam investigados e, se provado, punidos”, declarou Jungmann.

     

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