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BOVESPA-Aversão a risco predomina e índice opera em queda

SÃO PAULO, 24 Mai (Reuters) – O clima de aversão a risco nos mercados empurrava a Bovespa mais uma vez para o vermelho nesta quinta-feira, com as incertezas na zona do euro, o câmbio volátil e os dados fracos da indústria na China afugentando investidores.

Às 13h59, o Ibovespa recuava 1,8 por cento, a 53.634 pontos, reduzindo parcialmente as perdas registradas pela manhã, quando o índice chegou a cair mais de 3 por cento. O giro financeiro do pregão estava em 3,9 bilhões de reais.

“Os estrangeiros fizeram um grande rali com o Brasil, mas agora estão saindo e derrubando a bolsa”, disse Hamilton Alves, analista no BB Investimentos. “O estrangeiro está saindo, preferindo esperar para ver o que acontece na zona do euro. Enquanto não tiver um cenário um pouco mais definido lá fora, o mercado aqui vai continuar travado.”

Após injetarem mais de 7 bilhões de reais na Bovespa em janeiro, os estrangeiros retiraram quase 2,7 bilhões de reais da bolsa em maio, até o dia 22. Nesse patamar, o saldo mensal seria a maior saída da bolsa paulista desde outubro de 2008, quando o saldo externo ficou negativo em 4,69 bilhões de reais.

Para Newton Rosa, economista-chefe na SulAmérica Investimentos, as incertezas relacionadas à taxa de câmbio também contribuem para afastar estrangeiros da Bovespa. Em maio, até dia 23, o dólar acumula alta de 6,9 por cento ante o real.

“Os investidores temem perder seus ganhos com a rápida oscilação da moeda. Se o governo deixasse a taxa de câmbio flutuar livremente, nós poderíamos ter mais clareza sobre para onde o real caminha, o que reduziria um pouco do risco para investidores”, afirmou.

Mais cedo, o Índice de Gerentes de Compra (PMI, na sigla em inglês) do HSBC mostrou que as indústrias da China enfrentaram problemas em maio, quando os pedidos de exportação atingiram mínimas de dois anos.

Os índices de Wall Street também mostravam volatilidade. Após operar em alta pela manhã, o Dow Jones recuava 0,3 por cento. Já o principal índice das bolsas europeiasfechou em alta de 1,09 por cento, com investidores aproveitando o tombo da véspera para buscar ações baratas.

Dentre as blue chips brasileiras, a preferencial da Valerecuava 0,8 por cento, a 36,51 reais, enquanto a preferencial da Petrobras caía 2,6 por cento, a 18,74 reais. OGX tinha baixa de 4,4 por cento, a 11,00 reais.

A preferencial da Usiminas tinha queda de 2,55 por cento, a 9,16 reais. Nesta quarta-feira, a empresa anunciou a convocação de assembleia de debenturistas para pedir permissão para descumprir, no final do segundo trimestre e nos últimos três meses do ano, o índice de endividamento.

Dentre as principais quedas do índice, Vanguarda Agrorecuava 5,26 por cento, a 0,36 real, e as units do Santander tinham baixa de 5,1 por cento, a 15,77 reais.

Na outra ponta, PDG Realty subia 2,9 por cento, a 3,16 reais, e Lojas Renner avançava 1,3 por cento, a 57,70 reais.(Por Danielle Assalve; Reportagem adicional de Asher Levine; Edição de Aluísio Alves)