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Bolsonaro anuncia nova troca de presidente da Petrobras

Novo homem à frente da estatal será assessor do ministro da Economia, Paulo Guedes, Caio Mario Paes de Andrade

Por Victor Irajá, Larissa Quintino Atualizado em 20 jun 2022, 20h25 - Publicado em 23 Maio 2022, 21h49

O presidente Jair Bolsonaro resolveu demitir o novo presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, e substituí-lo pelo secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, Caio Mario Paes de Andrade ao posto. O atual mandatário ficou 40 dias no cargo. A decisão foi anunciada por meio de posicionamento do governo federal tornado público na noite desta segunda-feira, 23, . Coelho estava à frente da empresa desde 13 de abril, depois da demissão do general Joaquim Silva e Luna e da recusa do economista Adriano Pires de assumir o cargo. O nome de Paes de Andrade ainda deverá ser aprovado pelo conselho de administração da empresa.

“O Brasil vive atualmente um momento desafiador, decorrente dos efeitos da extrema volatilidade dos hidrocarbonetos nos mercados internacionais”, diz a nota da Petrobras. “Adicionalmente, diversos fatores geopolíticos conhecidos por todos resultam em impactos não apenas sobre o preço da gasolina e do diesel, mas sobre todos os componentes energéticos. Dessa maneira, para que sejam mantidas as condições necessárias para o crescimento do emprego e renda dos brasileiros, é preciso fortalecer a capacidade de investimento do setor privado como um todo”, justifica ainda.

A troca de comando na empresa acontece na esteira de críticas públicas do presidente Jair Bolsonaro à gestão da Petrobras e da série de aumentos significativos no preço dos combustíveis. Para tentar aplainar os custos, Bolsonaro tentou interferir na empresa durante a gestão de Silva e Luna, como o próprio general revelou em entrevista a VEJA — como na tentativa de emplacar nomes nas diretorias da empresa. “Houve indicações nesse sentido, mas confesso que isso não me incomodou. Eu não ia fazer. Então, eu dormia tranquilo. Meu apego a cargo é zero, nunca tive. Vim para servir”, afirmou.

Antes de demitir Coelho, o presidente ainda promoveu uma troca no comando do Ministério de Minas e Energia. Há duas semanas, Bolsonaro trocou o general Bento Albuquerque pelo então assessor especial de Guedes, Adolfo Sachsida, que anunciou o início de estudos para privatizar a estatal — possibilidade tida como pouco crível e meramente eleitoreira por entes do mercado. Pessoas próximas ao ministro da Economia, inclusive, admitem que a possibilidade da empresa ser vendida é vista com dificuldade mesmo dentro do governo.

Caio Mario Paes de Andrade era secretário de Paulo Guedes e tinha seu nome aventado como substituto de Joaquim Silva e Luna, demitido em março. Na ocasião, a pessoas próximas, o ministro da Economia chegou a comentar, entusiasmado, que “vinha coisa grande” para seu secretário. Guedes levou ao presidente Jair Bolsonaro o nome de Paes de Andrade com o argumento de que a escolha aplainaria pressões do mercado com uma eventual demissão de Silva e Luna e que seu nome seria melhor absorvido do que o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim — nome próximo ao de Bolsonaro e que agradava muito ao presidente.

Coelho é ex-secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia. Formado em Química Industrial e mestre em Engenharia dos Materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), ele fez doutorado em Planejamento Energético pelo Programa de Planejamento Energético (PPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Antes de ser secretário do Ministério de Minas e Energia e presidente da PPSA, passou mais de uma década na estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE). 

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