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Bolsas recuam ante decisão da Europa de não pressionar BCE

Mercado continua pedindo que atuação do BCE seja mais incisiva nos países em crise

Berlim, Paris e Roma se comprometeram a não interferir na independência do Banco Central Europeu (BCE), afirmaram os líderes desses países após o encontro desta quinta-feira em Estrasburgo (leste da França), destinado a “acelerar” o plano de resgate da zona do euro. Com isso, após abrir em alta, os principais índices europeus fecharam o pregão desta quinta-feira em leve queda. Nos Estados Unidos, as bolsas não funcionaram nesta quinta-feira devido ao feriado do dia de Ação de Graças.

Contrariando a posição mantida ultimamente por vários dirigentes franceses, Sarkozy afirmou que os três países não farão mais declarações “positivas ou negativas” sobre o BCE, cuja missão é garantir uma inflação em torno de 2% na zona do euro.

A declaração trouxe temores para os mercados, pois os investidores querem que o BCE deixe de lado sua ortodoxia monetária e compre maiores volumes de dívida pública de países em apuros para reduzir os juros exigidos dos bônus e contribuir para tornar sua dívida sustentável. A pressão vem, sobretudo, dos Estados Unidos e da Inglaterra.

O índice CAC-40, principal da Bolsa de Valores de Paris, fechou nesta quinta-feira com ligeira baixa de 0,01%, aos 2.822,25 pontos, enquanto em Frankfurt, o DAX 30 recuou 0,54%, aos 5.428,11 pontos. Em Londres, O índice FTSE-100 também fechou o pregão em leve queda de 0,24%, aos 5.127,57 pontos.

BCE em foco – Após o anúncio dos líderes europeus, os juros dos bônus italianos a dez anos voltou a superar os 7%, nível considerado insustentável no longo prazo para que o país possa seguir pagando sua dívida.

Com isso, os dirigentes das três maiores economias da zona do euro, Angela Merkel (Alemanha), Nicolas Sarkozy (França) e Mario Monti (Itália) ampliaram a volatilidade do mercado ao invés de traquilizá-lo, como pretendia o encontro, que teve início às 9h30 (horário de Brasília) e foi seguido por uma coletiva de imprensa às 11h00 (horário de Brasília).

A Europa está agora à espera de que o futuro presidente do governo espanhol, o conservador Mariano Rajoy, eleito nas legislativas antecipadas de domingo com maioria no Parlamento, e que assumirá depois de 20 de dezembro, anuncie medidas para reduzir o déficit. Com um desemprego recorde e a beira da recessão, Espanha e Itália tem sido alvo de fortes ataques dos mercados e da especulação financeira.

Na Itália, o recém-eleito Monti – ex-comissário europeu que substituiu Silvio Bersluconi – tentou tranquilizar França e Alemanha sobre as medidas que implementará para evitar um contágio da crise da dívida em seu país.

A tarefa não é fácil, pois a Itália, com uma dívida de 1,9 trilhão de euros (120% de seu PIB), precisa mostrar na prática que está decidida a respeitar seus compromissos para reduzir seu déficit e levar adiante reformas estruturais.

(Com Agência France-Presse)