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Bolsa tem pior resultado desde dezembro e fecha abaixo dos 90 mil pontos

Demora para a aprovação da reforma da Previdência e cenário internacional ruim fizeram com que o Ibovespa descesse ao patamar dos 89 mil pontos

A Bolsa de Valores brasileira voltou a cair nesta sexta-feira, 17, e fechou pela primeira vez abaixo dos 90.000 pontos neste ano. O Ibovespa, principal índice da bolsa, teve um dia de sobe e desce e fechou com ligeira queda, de 0,04%. Com isso, desceu aos 89.993 pontos. É a menor pontuação desde os 87.887 do dia 28 de dezembro de 2018. Nesta semana, a bolsa acumulou queda de 4,6%.

Entre os principais motivos para o azedume do mercado, está a dificuldade de articulação do Planalto com o Congresso. A tramitação da reforma da Previdência, considerada essencial para o equilíbrio fiscal do governo federal, caminha a passos lentos. “Existe uma clara falta de articulação política, e cada notícia que se teve nesta semana acabou sinalizando essa fraqueza”, afirmou Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos.

O governo conseguiu aprovar com muita dificuldade a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição sobre as novas regras da aposentadoria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, considerado o primeiro e mais simples passo. O texto está em tramitação na comissão especial da casa, e não deve ter seu relatório analisado antes de junho. Só depois dessa etapa é que a proposta pode ser analisada pelo plenário da Câmara.

Segundo Salomão, o cenário no início do dia indicava uma queda maior, mas, com o dólar mais caro e as ações mais baratas, o mercado acionário se torna uma boa opção para investimento, principalmente de investidores estrangeiros, que foi o que ajudou a puxar a bolsa no meio do dia, quando o índice operava em alta de 1%. Porém, houve um ajuste no fim do dia, fazendo com que o índice operasse praticamente estável.

Para Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset, o cenário internacional e também o noticiário político fazem com que o mercado financeiro se estresse. 

O início do governo de Jair Bolsonaro trouxe um otimismo para o mercado financeiro, o que fez a bolsa de valores iniciar uma trajetória de alta, com sucessivos recordes. A lua de mel, porém, não se sustentou por muito tempo. Após bater o recorde de fechamento de 99.994 pontos em 18 de março e ultrapassar durante o dia a barreira psicológica dos 100.000 pontos, o patamar não se sustentou. E, desde então, o Ibovespa opera oscilando predominantemente para baixo.

Apesar de voltar para os 89 mil pontos, analistas de bolsa afirmam acreditar que o patamar do Ibovespa seja entre os 90 mil e 100 mil pontos. “Neste ano, a bolsa ainda pode atingir essa barreira dos 100 mil pontos com ajustes técnicos e melhoras pontuais. No índice, há bastante empresas exportadoras, como a Vale, que podem ajudar a puxar o índice para cima”, disse Syper.