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BNDES liberou mais de R$ 150 bilhões em 2012

Concessões do banco de fomento passam de 13 bilhões de reais, na média de agosto a novembro, para 30 bilhões de reais somente em dezembro

Por Da Redação 4 jan 2013, 19h50

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) colocou o pé no acelerador em dezembro e ultrapassou a casa dos 150 bilhões de reais em desembolsos em 2012. Fontes que viram os números de perto relatam que a meta inicial traçada pelo presidente do banco, Luciano Coutinho, foi superada com folga.

O banco de fomento deu um salto no ritmo de liberações de recursos no último mês do ano. Depois de quatro meses de desembolsos na faixa dos 13 bilhões de reais, o BNDES deve anunciar nas próximas semanas que liberou mais de 30 bilhões de reais somente em dezembro. Esse feito só foi conseguido duas vezes antes, sempre com a ajuda de desembolsos expressivos para a Petrobras.

A primeira vez foi em julho de 2009, quando o banco liberou quase 24 bilhões de reais para financiar a construção da refinaria de Abreu e Lima no Nordeste pela estatal. A segunda aconteceu em setembro de 2010, com o BNDES desembolsando aproximadamente 25 bilhões de reais para operação de capitalização da Petrobras.

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Segundo uma fonte, a petroleira agora saiu de cena. No entanto, o setor público não deixou de ter um papel de destaque no bom desempenho do BNDES. Os desembolsos relativos ao Programa de Apoio ao Investimento dos estados e do Distrito Federal (Proinveste) foram os responsáveis pelos números de dezembro. O programa é um tipo de financiamento para viabilizar investimentos dos governos estaduais.

Também colaborou para que o BNDES superasse a meta traçada por Coutinho a liberação de 3,2 bilhões de reais referentes à primeira parcela do financiamento para obras de construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

De olho no PIB – Ao longo de 2012 o governo vem lutando para incentivar investimentos – mola propulsora do crescimento econômico. Sem sucesso, o Planalto teve de engolir o “pibinho” do terceiro trimestre. Na tentativa de mudar o quadro, o governo lançou pacotes para incentivar investimentos em infraestrutura, como nos segmentos de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. Tudo para ver o empresariado tirar a mão do bolso.

Poder limitado – Para o economista Alexandre Schwartsman, no entanto, o poder do BNDES de turbinar a economia é limitado. “É preciso ser muito ingênuo para acreditar que isso tudo (os desembolsos) é investimento (…) Se dependesse de o governo enfiar dinheiro no BNDES, a economia estaria crescendo muito mais rápido do que isso”, disse.

Claudio Frischtak, sócio da consultoria Inter B, também não enxerga na reação dos desembolsos do BNDES em dezembro um sinal claro de retomada da economia. Em sua avaliação, uma resposta mais significativa só virá a partir de meados do ano. Porém, ele admite que o cenário hoje é mais promissor e que o patamar de juros convidativo do BNDES ajuda a atrair os empresários interessados em tirar da gaveta projetos de expansão. “[Deve haver] alguma antecipação de investimento por causa do receio dos empresários de esses juros não se manterem tão atraentes por muito tempo”, afirmou.

(com Estadão Conteúdo)

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