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BC sinaliza mais cortes da Selic com “parcimônia”–ata

Por Tiago Pariz

BRASÍLIA, 8 Jun (Reuters) – Diante de um cenário de recuperação econômica mais frágil e reduzindo as projeções de inflação para este ano, o Banco Central voltou a indicar nesta sexta-feira que deve fazer novos cortes na taxa básica de juros do país com “parcimônia.”

Para analistas, esses sinais corroboram a perspectiva de que a Selic -hoje a 8,50 por cento ao ano, mínima histórica- será reduzida no próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), em julho.

“O Copom entende que, dados os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia”, informou o BC por meio da ata da última reunião do Copom publicada nesta sexta-feira, mantendo a mesma linguagem utilizada no documento de abril.

Na semana passada, a autoridade monetária reduziu a Selic em 0,50 ponto percentual, e já havia deixado a porta aberta para mais cortes. Foi o sétimo corte seguido desde agosto passado, quando começou a flexibilizar a política monetária

O Copom reforçou ainda que a recuperação da economia brasileira ocorre de maneira “bastante gradual”, repetindo a afirmação feita pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, na semana passada sobre o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do país do primeiro trimestre, que cresceu apenas 0,2 por cento sobre os três últimos meses de 2011.

“O Copom avalia que a desaceleração da economia brasileira no segundo semestre do ano passado foi maior do que se antecipava, e que a recuperação tem se materializado de forma bastante gradual”, trouxe a ata.

O mau desempenho da economia é uma preocupação constante do governo e, por isso, tem anunciado medidas de estímulos. Reduzir a Selic é outro fator importante para garantir uma aceleração da atividade, uma vez que barateia os custos dos empréstimos e estimula o consumo.

Agora, o foco do governo é destravar os investimentos público e privados e reduzir o custo da produção no Brasil. Dentro da equipe econômica já há avaliações de que o PIB brasileiro crescerá menos de 3 por cento neste ano.

Na avaliação da economista da consultoria Tendências Alessandra Ribeiro, a ata indica que o Copom continuará reduzindo a Selic num ritmo de 0,5 ponto percentual, uma vez que sinalizou preocupação adicional com a atividade econômica.

Também ajudou o fato de o Copom ter diminuído as projeções de inflação tanto no cenário de referência como no de mercado, situando-se em torno do centro da meta, de 4,5 por cento pelo IPCA, para este ano.

Na ata anterior, de abril, o Copom havia elevado a perspectiva de preços nesses cenários, apesar de afirmar que a inflação também se encontrava “em torno” do valor central da meta.

“O espaço está aberto para novas reduções no ritmo de 0,50 ponto. Esse recado está dado”, afirmou a economista. “O que ele (o Copom) incrementou é no sentido de apontar uma recuperação mais lenta da economia brasileira, num contexto de maior fragilidade externa”, emendou Alessandra.

O cenário de referência tratado pelo Copom leva em consideração o dólar a 2,05 reais e a Selic a 9 por cento ao ano.

Para 2013, o BC informou que a projeção de inflação se manteve no cenário de referência e recuou no de mercado. “Mas ainda se posiciona, nos dois casos, acima do valor central da meta”, informou a autoridade monetária.

No documento anterior, a estimativa de inflação para próximo ano havia sido elevada no cenário de referência e estável no de mercado e ambas se encontravam “acima” do centro da meta.

Para o economista do Goldman Sachs Alberto Ramos, o fato de o Copom ter mantido a inflação para 2013 acima da meta reforça argumento mais cortes da Selic com moderação. “Não haverá cortes de 0,75 ponto”, escreveu o economista em nota.

Depois de acelerar a alta a 0,64 por cento em abril, o IPCA fechou maio com expansão de 0,36 por cento, abaixo da expectativa do mercado, o que fez o indicador acumular alta de 4,99 por cento em 12 meses.

O Copom também repetiu nesta sexta-feira que a inflação converge para a trajetória da meta oficial.

EXTERNO DESINFLACIONÁRIO

O Copom voltou a defender que o cenário externo conturbado continua desinflacionário, o que também ajuda a pavimentar ainda mais o caminho para mais quedas na Selic.

“Neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária”, informou por meio da ata.

O BC manteve ainda a projeção de que os preços da gasolina e do gás de botijão ficarão estáveis neste ano, e de que os preços das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade subirão 1,5 e 1,3 por cento, respectivamente. Para os preços administrados em geral, a autoridade manteve também as contas de alta de 4 e 4,5 por cento em 2011 e 2012, respectivamente.

O Copom informou também que a demanda doméstica “tende a se apresentar robusta” por conta da melhora da renda e da “expansão moderada do crédito”, mas que por outro lado, há cenário de contenção de despesas públicas e de demanda agregada pelo “frágil cenário internacional.”

“Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal são parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas”, informou o Copom.