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BC chinês não deveria aumentar os juros para combater inflação, diz consultor

Segundo Xia Bin, economista do Banco do Povo da China, o país deveria liberar a flutuação da taxa de depósito bancário para combater a alta dos preços

Por Da Redação - 18 set 2010, 14h07

Segundo o economista, se o governo elevar a taxa de juros, as pessoas não entenderão

A China deveria considerar liberar a flutuação da taxa de depósito bancário para combater a inflação, em vez de adotar uma pequena alta na taxa de juros, que não conseguiria conter a elevação nos preços ao consumidor. É o que pensa Xia Bin, influente economista e conselheiro do Banco do Povo da China (PBOC, na sigla em inglês). “Na teoria, não é bom ter taxas de juros negativas por um período prolongado”, comentou ele durante palestra em uma universidade local.

“Entretanto, os mercados estão muito frágeis no momento. Se o governo elevar a taxa de juros, as pessoas não entenderiam. Mesmo que o governo queira elevar os juros, o tamanho desse aumento não deve ser muito grande. Assim, isso não seria eficaz para administrar a economia real”, afirmou Xia Bin. Em vez disso, talvez seja uma ideia melhor o governo de Pequim permitir que as taxas de depósitos flutuem livremente, acrescentou.

Os comentários do economista acontecem em um período de intenso debate sobre se o governo precisa adotar medidas de aperto monetário, após a inflação mensal da China ter atingido o nível mais elevado em quase dois anos. O índice de preços ao consumidor (PPI, na sigla em inglês) da China em agosto subiu 3,5%, a maior alta desde outubro de 2008 e acima da elevação de julho, de 3,3%. O indicador ficou bem acima da taxa de depósito referencial do país para um ano, de 2,25%, o que significa que a taxa de juros real está negativa. A China não permite que os bancos ofereçam taxas de depósito acima do índice referencial.

Xia Bin também disse que a economia chinesa deva desaquecer ainda mais, provavelmente com o crescimento do PIB perdendo 1 ponto porcentual por trimestre nos próximos três ou quatro trimestres. Mesmo assim, ele afirmou que o PIB anual ainda pode ficar entre 8% e 9%. Este ano, a economia da China teve uma expansão de 11,7% no primeiro trimestre e de 10,6% no segundo.

(Com Agência Estado)

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