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Bancos alemães impõem condições para ajudar a Grécia

Para evitar críticas da opinião pública, bancos devem negociar mais arduamente com líderes europeus

Por Da Redação - 21 jun 2011, 19h54

A agência Standard & Poor’s qualifica atualmente a dívida grega pior que a do Paquistão ou da Jamaica

Os bancos alemães, que vão participar de modo “voluntário” do segundo plano de ajuda à Grécia, a pedido do governo, já começaram a impor condições, revelando que as negociações serão árduas com os líderes europeus. As entidades financeiras buscam uma maneira de salvar a Grécia da quebra pela segunda vez em dois anos, mas, com o objetivo de evitar as críticas dos contribuintes e da opinião pública, querem desta vez uma participação dos credores privados.

Os governos europeus esperam obter dos bancos o compromisso de que comprarão obrigações gregas quando as que possuem chegarem ao fim. Isto evitaria que Atenas tivesse de pagar a seus credores a curto e médio prazo e permitiria ao governo ganhar tempo para obter maior credibilidade diante dos mercados financeiros – que, por enquanto, aceitam emprestar à Grécia apenas a taxas de juros exorbitantes.

Para os bancos, isto significa que reinvestiriam totalmente em um produto de risco. A forma voluntária deste compromisso é crucial, já que permite evitar que seja percebido como uma restruturação da dívida pelas agência de classificação financeira. “Esperar um voluntariado sem contrapartida não terá êxito”, afirmou nesta terça-feira um porta-voz da Associação alemã de Bancos Públicos (VÖB). “Todos estão prontos para assumir suas responsabilidades”, assegurou, por sua vez, o presidente da Federação dos Bancos Privados Michael Kemmer na emissora de rádio Deutschlandfunk. “É evidente que faz falta que sejamos incentivados para fazê-lo”, insistiu.

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Uma possibilidade, segundo Kemmer, seria garantir as novas obrigações gregas por outras obrigações públicas da zona do euro, com o objetivo de melhorar a classificação da dívida do país. A agência Standard & Poor’s qualifica atualmente a dívida grega pior que a do Paquistão ou da Jamaica. “Se não houver lucro por sua participação, os bancos não entrarão neste jogo”, estimou o professor da Escola das Finança de Frankfurt, Horst Löchel. Segundo o especialista, “a única solução” é oferecer maiores garantias nas novas obrigações gregas, através dos Fundos Europeus de Estabilidade Financeira (FESF).

(com Agence France-Presse)

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