Banco Master só tinha R$ 4 milhões em caixa no dia da liquidação
Recursos do banco não pagariam sequer a festa de aniversário da filha de Daniel Vorcaro, que custou 20 milhões de reais em 2023
No dia 18 de novembro, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, a instituição controlada por Daniel Vorcaro possuía apenas 4 milhões de reais em caixa – uma quantia irrisória, mesmo para um banco de pequeno porte como era o caso. A informação foi revelada pelo diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino, em depoimento prestado à Polícia Federal em 30 de dezembro.
Como comparação, Aquino explicou que um banco do porte do Master, com cerca de 80 bilhões de reais em ativos, deveria ter uma liquidez de, pelo menos, 3 bilhões de reais. No jargão financeiro, a liquidez representa os recursos imediatamente à disposição de uma instituição, tais como o capital em caixa e os investimentos em títulos que podem ser vendidos rapidamente.
À PF, Aquino afirmou que o foco do BC, naquele momento, era a crise de liquidez do Master, que já acumulava dívidas bilionárias e enfrentava problemas para honrar seus compromissos, como atender aos clientes que, preocupados com a deterioração da instituição, solicitaram o resgate de seus investimentos em CDBs. Como se sabe, ao quebrar, o banco de Vorcaro deixou 1,6 milhão de clientes na mão, que precisaram ser socorridos pelo Fundo Garantidor de Crédito. Os mais de 40 bilhões de reais que o FGC pagará em indenizações aos prejudicados entrará para a história como o maior resgate realizado no Brasil.
A quantia exígua no caixa do Master no dia da liquidação contrasta com a vida de ostentação de Vorcaro. Basta lembrar que o dinheiro não bancaria, sequer, a festa de quinze anos da filha do banqueiro. Realizada em 2023, a festança contou com a presença de 500 convidados e artistas de fama internacional, como o DJ Alok, e foi orçada em 20 milhões de reais.





