Banco Master: 92 000 credores ainda não pediram a indenização ao FGC
Pedido pode ser feito pelo aplicativo do FGC e dinheiro cai na conta em até dois dias úteis, mas milhares de clientes ainda não se apresentaram
Cerca de 92 000 credores do Banco Master, entre pessoas físicas e empresas, ainda não solicitaram ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a indenização a que têm direito. O número foi veiculado pelo Valor Investe e confirmado por VEJA junto ao FGC. Desde 17 de janeiro, quando o fundo liberou seu aplicativo para receber os pedidos dos prejudicados pela liquidação extrajudicial do Master, 36 bilhões de reais já foram pagos. Após o pedido, o dinheiro é pago em até dois dias úteis.
Estima-se que os ressarcimentos totalizarão 41 bilhões de reais e entrarão para a história como o maior resgate já realizado pelo fundo. Outros 6,5 bilhões de reais devem ser pagos aos clientes do Will Bank, que integrava o grupo do Banco Master e foi liquidado pelo Banco Central em 21 de janeiro – pouco mais de dois meses depois de intervir no banco de Daniel Vorcaro.
Os clientes do Master podem solicitar o reembolso de até 250 000 reais, referentes a aplicações financeiras que contavam com a cobertura do FGC. É o caso dos investimentos em CDBs vendidos pela instituição e que prometiam retornos muito acima da média do mercado. Esses papéis atraíram cerca de 1,6 milhão de interessados, entre pessoas físicas, empresas e fundos de pensão de servidores públicos.
Lastreados em precatórios – dívidas reconhecidas pela União, mas de pagamento incerto, já que o governo empurra esses compromissos para diante, a fim de acomodar outras despesas no Orçamento -, os CDBs contribuíram para a derrocada do Master, à medida que a desconfiança sobre a solidez do banco se alastrava pelo mercado e os pedidos de resgate culminaram em uma crise de liquidez.
De acordo com o depoimento do diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, à Polícia Federal, o Master mantinha apenas 4 milhões de reais no caixa no dia de sua liquidação em 18 de dezembro do ano passado. Mesmo sendo considerada de pequeno porte (categoria S3, segundo a nomenclatura do BC), a instituição deveria contar com cerca de 3 bilhões de reais para honrar seus compromissos sem problemas.





