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Banco do Brasil projeta 2026 desafiador após lucro afundar 45% em 2025

Executivos preveem recuperação lenta com situação do agro normalizando a partir do 2° semestre de 2026

Por Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 fev 2026, 11h57 • Atualizado em 12 fev 2026, 13h56
  • A CEO do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou em teleconferência de resultados, nesta quinta-feira, 12, que 2026 será um ano desafiador para o banco. Ontem, a companhia reportou lucro líquido ajustado de 20,7 bilhões de reais no acumulado de 2025, tombo de 45,4% na comparação com 2024.

    Para o próximo ano, a companhia espera trazer um certo crescimento nos resultados. No lucro líquido, o BB projeta ganhos de 22 bilhões de reais a 26 bilhões de reais em 2026. O número representa uma alta de 6,3% a 25,6% em relação ao lucro de 20,7 bilhões de 2025.

    Para a margem financeira, a empresa estima avanço de 4% a 8%. As receitas com prestação de serviços devem subir de 2% a 6% em 2026. A carteira de crédito deve crescer entre 0,5% e 4,5%. Já as provisões devem ficar de 53 bilhões de reais a 58 bilhões de reais no acumulado do próximo ano.

    Para atingir essa meta, a executiva disse que o banco seguirá com uma gestão estratégica e com cautela na concessão de crédito. Na carteira de pessoas físicas, o banco deve manter o apetite pela alta renda. O banco já possui um número relevante no segmento de Private Banking, mas quer crescer ainda mais nesse setor com a ampliação de 20% na assessoria de investimentos. “Vemos esse setor como um ativo de alto valor, com expansão do crédito para a alta renda, inclusive no cartão de crédito”, diz a executiva.

    A empresa também pretende liderar o segmento de consignado para o funcionalismo público e ter pelo menos 20% de participação de mercado no crédito consignado para o trabalhador do setor privado. Em relação ao consignado privado, conhecido como consignado CLT, a empresa diz que a isenção do imposto de renda pode trazer um incremento de 28 bilhões de reais na carteira de crédito da pessoa física.

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    Agronegócio terá ano difícil, com recuperação a partir do 2º semestre

    No agronegócio, a empresa enfrentou sérios problemas em 2025 com a disparada da inadimplência, que avançou 3,86 pontos percentuais em 12 meses. O indicador estava em 2,23% no fim de 2024 e foi para 6,09% em 2025.

    Durante a teleconferência de resultados, Felipe Prince, CRO (Chief Risk Officer) do BB, disse que a inadimplência do agronegócio deve apresentar melhora a partir do segundo semestre de 2026 devido ao apoio da Medida Provisória 1.314, que auxilia o banco na renegociação de crédito do setor agrícola. “Teremos sim uma melhora na carteira, com redução de risco. No entanto, a adimplência não deve caminhar rapidamente”, afirma.

    Vale lembrar que a MP 1.314 autoriza o uso de até 12 bilhões de reais do superávit financeiro de fontes da União (geridos pelo BNDES) para criar novas linhas de crédito rural. O objetivo é socorrer produtores rurais e cooperativas afetadas por eventos climáticos extremos entre 2020 e 2025, facilitando a liquidação ou amortização de dívidas.

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    Segundo o CFO, Marco Geovanne Tobias, a trajetória da melhora ainda é incerta, podendo ser em W ou em escada. “O que sabemos é que não teremos uma recuperação em ‘V’, ela pode acontecer em diversos formatos”, explicou. Já a CEO argumentou que com a regularização que deve acontecer ao longo do próximo ano, a companhia espera ampliar ainda mais a sua presença no setor. A companhia pretende ampliar sua presença no setor do agronegócio, com um aumento de 230 novas praças no segmento agro.

    “Buscaremos clientes com capacidade de pagar e permaneceremos com eles a safra inteira para manter a boa avaliação de risco. A proposta também engloba aqueles que têm a capacidade de voltar a pagar com o uso da MP 1.314. Manteremos uma gestão cautelosa e estratégica no setor”, disse a CEO.

    Todo esse cuidado do Banco do Brasil na concessão de crédito segue em linha com os demais bancos, que também enxergam o próximo ano como desafiador devido ao cenário macroeconômico. O Banco do Brasil, por exemplo, prevê uma leve alta do desemprego, dos atuais 5,4% para 6%. O Banco estima Selic a 12% ao ano até o fim de 2026, uma queda de 3 pontos porcentuais. Ainda assim, a taxa deve seguir em um patamar elevado, o que encarece o crédito.

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    Na visão de Tarciana Medeiros, as projeções indicam que o Banco do Brasil segue atuando com cautela, estratégia clara e execução disciplinada. “Seguimos com foco contínuo em mitigação de riscos e rentabilidade: fortalecimento de garantias, matriz de resiliência e novos produtos para sustentar a parceria histórica com o agro”, conclui a executiva.

    (Matéria em atualização)

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