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Banco do Brasil tem lucro acima do esperado no 4º tri, mas inadimplência ainda pesa

Resultado mostra deterioração no ano, mas balanço apresenta melhora em algumas linhas em relação ao trimestre anterior

Por Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 fev 2026, 18h28 • Atualizado em 11 fev 2026, 20h07
  • O Banco do Brasil reportou lucro líquido ajustado de 5,74 bilhões de reais no quarto trimestre de 2025, queda de 40% na comparação com o mesmo período do ano retrasado. A informação foi divulgada em documento enviado ao mercado nesta quarta-feira, 11. O número ficou 43% acima do esperado pelo mercado, que aguardava um lucro de 4,01 bilhões de reais para o período, segundo o consenso reunido pelo BTG Pactual. No acumulado de 2025, o Banco do Brasil reportou lucro líquido ajustado de 20,7 bilhões, tombo de 45,4% na comparação com 2024.

    Embora os números possam parecer negativos na comparação com o ano anterior, o resultado ficou muito acima do esperado pelo mercado e refletem uma recuperação da companhia na comparação com o terceiro trimestre de 2025. Essa evolução foi puxada pelo desempenho do banco na margem financeira bruta, que chegou a 27,8 bilhões de reais no quarto trimestre de 2025, alta de 3,8% na comparação anual e avanço de 5,4% na base trimestral.

    Segundo o banco, o indicador cresceu devido às receitas com operações de crédito, que avançaram 27,6% na comparação anual e chegaram a 47,35 bilhões no quarto trimestre de 2025. Parte dessa alta aconteceu por causa do aumento das receitas de crédito com a carteira da pessoa física, que foi um dos novos focos anunciados pela empresa no terceiro trimestre de 2025.

    Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, pontua que essa melhora na carteira de crédito pessoa física foi puxada pelo novo consignado do trabalhador, conhecido popularmente como consignado CLT. “Foram desembolsados 13 bilhões de reais no crédito do trabalhador, uma demonstração que reafirma nossa expectativa declarada de que iríamos crescer em linhas com melhor retorno ajustado ao risco”, diz Medeiros.

    A carteira de crédito expandida chegou a 1,3 trilhão de reais, crescimento 2,5% na comparação anual. Diante desse cenário, a rentabilidade, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês), ficou em 12,4%, queda de 8,4 pontos percentuais na comparação com o mesmo período de 2024. No entanto, em relação ao terceiro trimestre de 2025, o número apresenta uma melhora de 4 pontos percentuais.

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    Inadimplência ainda deteriora balanço do BB

    Se o lucro ficou acima do esperado com a rentabilidade em alta na comparação trimestral, a inadimplência ainda é um problema. O Banco do Brasil reportou uma inadimplência acima de 90 dias de 5,17%, avanço 2,11 pontos porcentuais em relação à inadimplência de 3,16% do quarto trimestre de 2025.

    Segundo o banco, a alta do indicador de calotes foi impactada por uma empresa do segmento atacado, que gerou um rombo de 3,6 bilhões de reais. Desconsiderando esse caso, o indicador seria de 4,88%. Mesmo assim, o Banco do Brasil continua com a maior inadimplência entre os pares, a menor é a do Itaú (1,9%), seguida por Santander (3,7%) e Bradesco (4,1%). Essa deterioração diante dos concorrentes acontece devido a alta da inadimplência da carteira de crédito do agronegócio, que avançou 3,86 pontos percentuais em 12 meses.

    Diante da inadimplência, o BB reportou 17,9 bilhões de reais em Provisões para Devedores Duvidosos (PDD), piora de 93,9% na comparação anual. Ainda assim, o número ficou estável em relação ao terceiro trimestre de 2025, o que ajudou aliviar a pressão sobre o resultado na comparação trimestral.

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    Projeções para 2026

    O BB cumpriu todas as linhas do guidance de 2025. Para o próximo ano, a companhia espera trazer um certo crescimento nos resultados. No lucro líquido, o BB projeta ganhos de 22 bilhões de reais a 26 bilhões de reais em 2026. O número representa uma alta de 6,3% a 25,6% em relação ao lucro de 20,7 bilhões de 2025.

    Para a margem financeira, a empresa estima avanço de 4% e 8%. As receitas com prestação de serviços devem subir de 2% a 6% em 2026. A carteira de crédito deve crescer entre 0,5% e 4,5%. Já as provisões devem ficar de 53 bilhões a 58 bilhões no acumulado do próximo ano.

    Na visão de Tarciana Medeiros, as projeções indicam que o Banco do Brasil segue atuando com cautela, estratégia clara e execução disciplinada. “Seguimos com foco contínuo em mitigação de riscos e rentabilidade: fortalecimento de garantias, matriz de resiliência e novos produtos para sustentar a parceria histórica com o agro”, conclui a executiva.

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