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BC vê aumento no custo da captação dos bancos, que pode afetar crédito

Comitê de Estabilidade do BC afirma que taxa média de captação dos bancos ultrapassou a Selic pela primeira vez, mas que sistema é resiliente

Por Diego Gimenes Atualizado em 13 mar 2021, 00h51 - Publicado em 10 mar 2021, 19h06

O aumento das medidas de restrição de circulação em todos os estados brasileiros pelo combate à pandemia de Covid-19 e a disparada no número de casos e mortes pela doença no Brasil trazem de volta o ambiente de incertezas para as empresas por aqui. Com a imunização engatinhando no país, o setor de serviços se viu obrigado a fechar as portas novamente — o que deve retardar ainda mais a recuperação econômica. Diante desse cenário, o Banco Central divulgou um relatório em que aponta um aumento do custo de captação do bancos.

Por meio de seu Comitê de Estabilidade (Comef), responsável por zelar pela integridade do sistema financeiro brasileiro, a entidade destaca que a taxa média de captação dos bancos tem aumentado nos últimos meses e, pela primeira vez, ultrapassou a taxa básica de juros — a Selic. Segundo o órgão, os “movimentos intensos e abruptos de reprecificação de ativos podem ter efeitos negativos para os fluxos de investimentos para economias emergentes”. A crise acelerou esse processo e, com prazos menores de captação, as instituições precisam ter uma liquidez mais robusta. O resultado final dessa equação pode afetar a qualidade do crédito no Brasil.

  • Outra conclusão do estudo é de que a cobertura dos chamados créditos problemáticos atingiu o maior patamar da série histórica. Por outro lado, a pasta ressalta que o sistema financeiro (SFN) do Brasil é resiliente, e não está sob riscos. “O Comef avalia que o SFN mantém reservas robustas para fazer frente a essas incertezas”, diz a ata da reunião. O comitê chegou a essa conclusão após realizar testes de estresse que comprovaram a capacidade do sistema de absorver perdas. As instituições estão mais bem preparadas em relação ao segundo semestre de 2020.

    Ainda na esteira do crédito, o Ministério da Economia aumentou a carência do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, o Pronampe. Os pagamentos estavam previstos para ter início em março, mas poderão ser adiados até junho pelos empresários que assim desejarem. O programa é destinado às micro e pequenas empresas e beneficiou quase 520 mil negócios, com a captação de mais de 37 bilhões de reais em empréstimos. Segundo Carlos da Costa, secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, o ministério negocia com o Senado a liberação de mais 6,8 bilhões de reais para o programa em 2021.

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