ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Banco central dos EUA interrompe ciclo de cortes e mantém juros contra vontade de Trump

O Federal Reserve optou por cautela a despeito das pressões da Casa Branca

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jan 2026, 16h01 • Atualizado em 28 jan 2026, 16h18
  • O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decidiu nesta quarta-feira, 28, manter os juros locais no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano, como era esperado pelo mercado financeiro. Com isso, a autoridade monetária interrompeu o ciclo de cortes que era promovido desde outubro do ano passado. A postura cautelosa contraria a vontade do presidente Donald Trump, ferrenho defensor de cortes radicais na taxa.

    “Os indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica tem crescido em ritmo sólido. A geração de empregos continua pequena e a taxa de desemprego mostrou alguns sinais de estabilização”, diz o comunicado publicado pelo Fed na tarde desta quarta-feira. “A inflação segue um tanto elevada”, conclui.

    Apesar do Fed ter mantido os juros no mesmo nível, a taxa básica entre 3,5% e 3,75% é a menor praticada nos EUA em cerca de três anos. Em paralelo, a inflação americana encerrou o ano de 2025 em 2,7%, segundo dados do governo, portanto acima da meta de 2% perseguida pela autoridade monetária local.

    O mercado considera provável que dois cortes de juros aconteçam até o fim do ano, mas sem perspectiva em relação às datas. O Fed frisou que está preparado para ajustar sua política monetária caso “riscos que podem impedir o cumprimento das metas do Comitê (de Política Monetária) emerjam”.

    Na deliberação anterior do Fed, em dezembro de 2025, a autarquia cortou os juros locais em 0,25 ponto percentual. Foi o terceiro corte consecutivo, motivado por um enfraquecimento dos dados de emprego nos EUA. A autoridade monetária havia reforçado, contudo, que as incertezas sobre as perspectivas econômicas permaneciam elevadas — algo reforçado no comunicado de hoje: “O Comitê está atento aos riscos de ambos os lados de seu mandato duplo (controle da inflação e garantia de emprego)”.

    Continua após a publicidade

    O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, virou alvo de uma investigação criminal federal neste mês de janeiro, episódio que o mercado interpretou como mais uma pressão do governo contra a política monetária vigente. O caso envolve um depoimento que Powell prestou ao Senado americano sobre um projeto de reforma da sede do Fed em Washington (DC).

    O presidente dos EUA tem prometido que os juros praticados no país vão cair rapidamente depois que Jerome Powell for substituído por um indicado da Casa Branca. O mandato de Powell vai até o mês de maio. Até lá, outras duas deliberações sobre os juros vão ocorrer, em março e abril.

    Trump ainda não anunciou quem vai indicar para substituir o atual comandante do Fed. “Acho que vamos ter um anúncio (do sucessor de Powell) muito em breve”, disse o presidente dos EUA durante discurso a apoiadores na terça-feira, 27, no estado de Iowa. “Vocês vão ver os juros caírem muito”, concluiu. Em falas anteriores, Trump xingou Powell de “burro” e disse que ele trabalha contra o país ao fixar os juros em níveis elevados.

    Parte do mercado teme a escolha da Casa Branca para o próximo presidente do Fed. O receio é de que o indicado de Trump busque atender às demandas do presidente, como ele promete, ao invés de se guiar pela análise econômica. O futuro da política monetária é uma das frentes em que os Estados Unidos não estão transmitindo muita confiança ao mercado. O dólar tem perdido valor globalmente neste início de ano, com desvalorização de 5,5% em relação ao real em menos de um mês. A moeda americana está cotada em praticamente 5,20 reais na tarde desta quarta-feira, o menor valor em cerca de dois anos.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).