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Banco Central dos EUA, Fed, mantém juros em meio à disparada do petróleo

Comitê salienta que está preparado para ajustar a condução da política monetária, se necessário, devido à guerra no Oriente Médio

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 mar 2026, 15h00 • Atualizado em 18 mar 2026, 15h47
  • O Banco Central dos Estados Unidos, Federal Reserve (Fed), manteve a taxa básica de juros no intervalo de 3,5% a 3,75% e não descartou ajustar sua política caso a guerra no Oriente Médio dificulte o cumprimento da meta de inflação. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira, 18, em comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) e veio em linha com as expectativas do mercado, segundo consenso do CME Group.

    No comunicado, os membros do Fed afirmam que os indicares recentes sugerem que a atividade econômica tem se expandido em ritmo sólido, com a inflação ainda elevada e a taxa de desemprego variando pouco nos últimos meses. O Comitê reforça que busca alcançar o máximo emprego e uma inflação de 2% no longo prazo.

    Para isso, eles comentam que as incerteza quanto às perspectivas econômicas permanece elevadas. “As implicações dos desdobramentos no Oriente Médio para a economia dos Estados Unidos são incertas. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato”, diz o comunicado.

    O posicionamento ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, considerada por analistas do setor petroleiro como a maior crise energética do século XXI. O Irã fechou o Estreito de Ormuz após ataques dos Estados Unidos e de Israel. A região é responsável por escoar cerca de 20% da produção global de petróleo. O Irã também tem atingido bases petrolíferas de países vizinhos, como a Arábia Saudita.

    Com isso, o preço do petróleo disparou 55% desde o início do conflito, saindo de cerca de 70,75 dólares para 109 dólares por barril. O movimento elevou o temor de pressões inflacionárias, levando investidores a recalcular as expectativas para o início do ciclo de cortes de juros pelo Fed. No comunicado, a autoridade monetária dos EUA diz que decidiu manter o intervalo-alvo para a taxa de juros entre 3,5% e 3,75%.

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    “Ao considerar a magnitude e o momento de eventuais ajustes adicionais nesse intervalo, o Comitê avaliará cuidadosamente os dados recebidos, a evolução do cenário econômico e o balanço de riscos”, diz a nota.

    Ao avaliar a orientação adequada da política monetária, o Comitê reforça que continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas. O Fed salienta que está preparado para ajustar a condução da política monetária, se necessário, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos.

    “As avaliações levarão em conta uma ampla gama de informações, incluindo indicadores das condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação, além de desenvolvimentos financeiros e internacionais”, explica a nota. Na decisão, 11 membros do Fed votaram a favor da manutenção dos juros, enquanto apenas um votou contra.

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    Os votos favoráveis vieram de: Jerome H. Powell (presidente); John C. Williams (vice-presidente); Michael S. Barr; Michelle W. Bowman; Lisa D. Cook; Beth M. Hammack; Philip N. Jefferson; Neel Kashkari; Lorie K. Logan; Anna Paulson; e Christopher J. Waller. Já Stephen I. Miran votou contra, pois preferia reduzir a taxa de juros em 0,25 ponto percentual nesta reunião.

    André Valério, economista sênior do Inter, diz que a reunião de março foi acompanhada de revisão nas projeções dos membros do FOMC. Como esperado por ele, não houve mudança relevante nas projeções. A expectativa de juros ao fim de 2026, 2027 e 2028 permanece a mesma da de dezembro.

    “A projeção de desemprego para 2026 ficou inalterada em 4,4%, enquanto aumentou marginalmente para 2027. Por outro lado, as projeções de inflação e PIB aumentaram frente a dezembro, mas também muito na margem”, diz Valério.

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    Mercado muda projeções de juros após guerra no Oriente médio

    Em janeiro, cerca de 60% do mercado precificava um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 17 de junho de 2026. A maioria dos especialistas estimava uma redução total de 0,5 ponto percentual ao longo do ano, com a taxa encerrando 2026 entre 3% e 3,25% ao ano, segundo dados da plataforma FedWatch, da Bolsa de Chicago.

    No entanto, o cenário mudou com a guerra. Por volta das 15h desta quarta-feira, o FedWatch indicava divisão nas apostas: cerca de 35,7% dos investidores esperavam a manutenção dos juros no nível atual até o fim de 2026, enquanto 40,6% projetavam um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 9 de dezembro. No segundo caso, a taxa encerraria o ano entre 3,25% e 3,5% ao ano.

    Assim, a decisão do Fed ocorre em um momento de incerteza sobre o nível dos juros ao fim de 2026. O mercado agora oscila entre um intervalo de 3,25% a 3,5% e a manutenção entre 3,5% e 3,75%, acima da projeção predominante em janeiro, que apontava queda para 3% a 3,25% ao ano. Em resumo, o avanço do petróleo e o risco inflacionário levaram à revisão para cima das expectativas para os juros americanos.

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