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Banco Central dá nova vida a “classe” que Guedes prometeu exterminar

Ministro da Economia sempre se colocou como inimigo dos rentistas. Agora, eles podem, mais uma vez, se beneficiar de taxa de juros alta

Por Victor Irajá Atualizado em 16 jun 2022, 15h12 - Publicado em 16 jun 2022, 12h43

A apenas um ponto da maior taxa de juros atingida pelo governo de Dilma Rousseff (PT), o país governado por Jair Bolsonaro revive um velho “inimigo” do ministro da Economia, Paulo Guedes, do qual ele prometia tirar o sono — e os rendimentos fáceis. Desde o primeiro discurso no cargo, o ministro entoava que o Brasil era “o paraíso dos rentistas” e que isso deveria acabar. Mesmo que isso custasse, inclusive, que o dólar atingisse patamares mais elevados, antes mesmo da pandemia. “Vamos vender ativos, desacelerar a dívida, talvez controlemos nominalmente essas despesas. Deixa de ser a asfixia de recursos para saúde, educação, cidadania, e o Brasil deixará de ser paraíso do rentista e inferno para empreendedores”, disse ele, em sua primeira manifestação pública como ministro.

Voltou ao tema em março de 2020: “O modelo econômico mudou. O Brasil passou quatro décadas como paraíso dos rentistas e o inferno dos empreendedores, modelo em que a taxa de juros estava sempre lá em cima, o governo se endividando em bola de neve, juros a 60% ao ano. Nós passamos uma década com juros de dois dígitos. E depois continuamos com os juros altos.”

Durante a primeira metade do governo, foi possível estimular a baixa dos juros, acentuada pelo Banco Central no começo da pandemia, para contrabalancear a queda da demanda. Pois bem. Agora, a poucos meses do fim do governo, o cenário é visivelmente oposto ao desejado por Guedes. Nesta quarta-feira, 15, o Banco Central (BC) elevou pela 11ª vez consecutiva a taxa básica de juros, a Selic, para 13,25% — e a autarquia sinaliza que ainda pode reajustar as alíquotas para cima, com menor ou igual força, pelo menos mais uma vez.

A partir do governo de Michel Temer (MDB), sob a presidência do Banco Central a cargo do economista Ilan Goldfajn, as taxas de juros passaram de 14,25%, dos tempos de Dilma Rousseff, para 6,5%, até então a mais baixa da história. Com o início da gestão de Bolsonaro, com Roberto Campos Neto no posto, o ciclo teve continuidade e levou a Selic para 2%, taxa que se sustentou até o ano passado, quando o BC iniciou as altas.

Com taxas de juros mais elevadas, torna-se mais atrativo para os investidores mirar em ativos de renda fixa, como os atrelados à própria taxa básica ou ao CDI. Quando a Selic está baixa, quem busca investimentos mais rentáveis tem de recorrer a papéis de maior risco, como aventurar-se na bolsa de valores, por exemplo. Os motivos para a reversão nada desejada por Guedes, é claro, são variados. A guerra na Ucrânia e a pandemia de Covid-19 tiveram, sim, papel fundamental, ao causar inflação, para que o Banco Central desse uma guinada dessa magnitude — mas os problemas não se resumem ao cenário internacional.

A atual gestão não conseguiu dar vazão à agenda de reformas e privatizações almejada por Guedes e, recorrentemente, atenta contra princípios básicos para manter um ambiente de negócios saudável — como no calote proposto pela PEC dos Precatórios e as tentativas corriqueiras de atacar a Petrobras. Dessa forma, afasta os investimentos do país, causando insegurança e a alta de dólar, que por sua vez aumenta a inflação. O paraíso dos rentistas está de volta. E promete sombra e água fresca em um país de águas turbulentas.

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