Aversão ao risco e incerteza fiscal pressionam o mercado
Após ter sido impulsionado pelas commodities e pela elevação da nota de crédito, o Ibovespa recua diante do agravamento do cenário externo

Parecia bom demais para ser verdade. O Ibovespa, principal índice da B3, vinha se destacando nos últimos dias com fortes ganhos, mesmo diante de um cenário global de maior aversão ao risco provocado pela guerra no Oriente Médio. O índice vinha sendo impulsionado pelas commodities, que ganharam força após o anúncio de um pacote de estímulos na China, além da elevação da nota de crédito do Brasil pela Moody’s. No entanto, hoje, o mercado já dá sinais de que não consegue manter esses ganhos, enfraquecido pelas condições externas mais adversas.
O índice recua mais de 1%, atingindo 131,8 mil pontos, impactado pelo aumento das tensões geopolíticas entre Israel e Irã, o que eleva a cautela dos investidores. No cenário doméstico, as declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também contribuem para uma percepção de maior risco fiscal. Na noite de quarta-feira, 2, o presidente do BC afirmou que o Brasil precisaria de um “choque fiscal” para sustentar juros baixos.
Nos Estados Unidos, o número de pedidos de auxílio-desemprego superou as expectativas, sugerindo um possível desaquecimento do mercado de trabalho após o banco central americano, Federal Reserve, manter as taxas de juros elevadas por um período prolongado. Esse enfraquecimento pode sustentar o início de um ciclo de flexibilização monetária, caso outros indicadores, como o relatório de emprego (payroll), a ser divulgado amanhã, confirmem essa tendência. O dólar sobe em meio ao cenário de maior aversão ao risco causado pela guerra, sendo cotado a R$ 5,48 às 10h50.
Apesar do cenário de perdas, as commodities, como o petróleo, continuam se valorizando, o que pode oferecer algum suporte às ações da Petrobras e evitar que o Ibovespa registre quedas mais acentuadas.