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Austin: IC-Br mostra que o BC agiu de forma precipitada

Por Da Redação - 6 out 2011, 09h00

Por Nalu Fernandes e Márcio Rodrigues

São Paulo – O Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br), anunciado ontem, mostra que a ajuda desinflacionária que o BC estava prevendo não deve ocorrer por enquanto, avalia o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. “Ao contrário, [o indicador] deve colocar um pouco mais de lenha na fogueira daqueles que acreditam que o Banco Central errou na decisão de reduzir o juro na última reunião, como foi a nossa opinião. O IC-Br mostra que o Banco Central, de forma precipitada, reduziu a taxa de juros”, afirmou, em entrevista à Agência Estado.

O IC-Br no mês de setembro apresentou alta de 7,8% e de 24,8% no acumulado em 12 meses. O índice, citou Agostini, depois de, praticamente, ficar no primeiro semestre em um período de desaceleração, voltou a se acelerar em setembro. O analista acrescenta que o indicador incorpora movimentos de safra e de demanda consumidora dos emergentes. “Ao contrário do que o BC tem piamente acreditado, que o cenário externo bastante conturbado vai gerar um cenário de desinflação na economia, não é isso que o IC-Br mostra”, reforçou. Para o analista, é muito mais oneroso para a economia ter inflação acima de 6,5% do que ter a taxa de inflação um pouco menor e um crescimento mais equilibrado. Agostini projeta IPCA em 6,6% neste ano e em 6,0% em 2012.

Agostini avalia que a contribuição do câmbio foi bastante significativa para o IC-BR em setembro. “Ficou evidente o pass-through do câmbio nos preços de commodities, captado principalmente pelas commodities agrícolas que são muito mais sensíveis ao câmbio”. O analista destaca que o crescimento das economias emergentes tem contribuído para o fato de o IC-Br de agropecuária (8,80%) ter subido mais do que o de metal (5,08%), energia (8,43%) e até mesmo o composto (7,83%) em setembro.

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Para o analista, o Índice de Preços ao Produtor (IPP), apurado pelo IBGE, deve mostrar efeitos da valorização do dólar na divulgação relativa a setembro, quando deve ficar em torno de 0,50%, superando a alta de 0,20% registrada em agosto. A previsão do analista para o IPCA em setembro, nesta sexta-feira, é de alta de 0,55%.

A economia da China deve continuar crescendo em torno de 9% e a Índia, 8%, no horizonte de dois anos, no mínimo, segundo estimativas do economista. “Não vejo como a China [pode] desacelerar agora, nos próximos trimestres, a ponto de ficar, por exemplo, abaixo de 9% ou até abaixo de 8%. Isso é bastante impensável pela necessidade do país de absorver mão de obra e de continuar sendo um ponto de equilíbrio para outros emergentes”, afirmou. A queda nos preços de commodities, prossegue Agostini, tem características momentâneas, não é estrutural. “Não falamos em quebra de estrutura, de mudança de preços relativos”.

Balança comercial

Com base neste cenário, Agostini prevê um crescimento de 30% no saldo comercial deste ano ante o registrado em 2010, ao projetar superávit comercial de US$ 26,7 bilhões em 2011. A projeção do analista tem por base valor médio do dólar em R$ 1,66 neste ano, sendo que o nível estimado para a moeda norte-americana é de R$ 1,75 ao fim do ano.

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