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Aumenta probabilidade de inflação fora da meta para 2022

BC projeta inflação de 4,7% para 2022, próximo a meta de 5%; probabilidade de a inflação ultrapassar os limites de tolerância saltou de 17% para 41%

Por Luana Meneghetti Atualizado em 16 dez 2021, 17h42 - Publicado em 16 dez 2021, 11h53

O Banco Central admitiu nesta quinta-feira, 16, que o país encerra o ano com uma inflação de dois dígitos, de 10,2%, como já sinalizou o mercado financeiro via Boletim Focus. A autoridade monetária do país também projeta uma inflação que beira o teto da meta para o próximo ano, de 4,7%, quando a meta para 2022 é de 3,5%, sendo o piso de 2% e o teto de 5%. As projeções de inflação foram revisadas para cima, em linha com o mercado, devido a “fatores de risco em ambas as direções”, com questões internas e externas do cenário econômico.

Em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta quinta-feira, 16, a autoridade monetária demonstra preocupação com a magnitude e a persistência dos choques, “com seus possíveis efeitos secundários e com a elevação das expectativas de inflação, inclusive para além do ano-calendário de 2022.” Assim, a probabilidade de a inflação ultrapassar os limites do intervalo de tolerância em 2022, saltou de 17% para 41% nas perspectivas do atual relatório do BC. “A mudança comunicada de forma bastante transparente. Antes a gente falava em atingir a meta em 2022, e agora passamos a falar em horizonte relevante em 2022 e 2023”, diz o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, questionado sobre o possível estouro do teto no próximo ano.

Os fatores de risco que fizeram a autoridade elevar as projeções de inflação estão atrelados ao possível aumento nos preços das commodities; a novos prolongamentos das políticas fiscais em resposta à pandemia, podendo elevar os prêmios de risco do país; aos questionamentos em relação ao arcabouço fiscal, que elevam o risco de desancoragem das expectativas de inflação; e a política monetária nos EUA, que pode afetar o preço de ativos domésticos.

Segundo o BC, a inflação ao consumidor continua persistente e elevada, e a alta dos preços surpreendeu mais uma vez no trimestre encerrado em novembro, com variação 1,42 ponto percentual acima do cenário básico apresentado no Relatório de Inflação anterior. “A principal contribuição para a surpresa decorreu do aumento dos combustíveis, mas itens mais associados à inflação subjacente também contribuíram para o desvio. A pressão sobre os preços de bens industriais ainda não arrefeceu, enquanto a inflação de serviços já se mostra mais elevada, refletindo a gradual normalização da atividade no setor”, diz o relatório. O BC também aponta a elevação dos preços de passagem aérea e a alta maior dos preços de alimentos in-natura.

Apesar do cenário, o banco projeta recuo na inflação acumulada em doze meses para 9,90% em fevereiro, devido à queda substancial esperada nos preços de combustíveis, principalmente em janeiro. Hoje a inflação acumulada em doze meses até novembro é de 10,74%. O BC atribui o aumento de preços deste ano ao significativo aumento dos preços de commodities. Até novembro deste ano, usando médias mensais, o índice de Commodities do Banco Central (IC-Br) em dólar acumulou aumento de 40,6% (51,8% em moeda nacional) e o preço do Brent aumentou 61,0% (73,8% em moeda nacional). No acumulado do ano, até outubro, os preços da gasolina, gás de bujão e etanol no IPCA haviam aumentado 38,29%, 33,34% e 51,25%, respectivamente.

Por outro lado, o preço de bens industriais deve continuar avançando em ritmo alto, assim como a inflação de serviços deve continuar elevada com a normalização de alguns preços deprimidos e repasse da inflação passada. É esperado também aumentos significativos nas tarifas de transporte público urbano, tendo em vista a alta dos preços dos combustíveis neste ano e a contenção das mesmas em 2020 e 2021, com impacto já nos meses iniciais de 2022.

Para manter a inflação ancorada, o BC já sinalizou a continuidade de sua política monetária contracionista, com aumento de mais 1,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom, elevando a taxa básica de juros (Selic) de 9,25% para 11,75% durante 2022, terminando o ano em 11,25%, e reduzindo para 8% em 2023. “O Comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, diz o relatório. Com a economia mais desaquecida, o BC também passou a projetar um recuo maior no PIB, com revisões que passaram de 4,7% para 4,4% em 2021 e de 2,1% para 1% em 2022. Questionado sobre o risco do efeito de juros sobre a desaceleração da economia, o presidente do BC diz que o aumento dos juros ainda é o melhor remédio para gerar solução de longo prazo. “A ancoragem da inflação é o elemento mais importante para estabilizar o crescimento de longo prazo e a parte fiscal do país”, diz. Neto diz ainda que aumentos maiores e mais longos passaram a ser discutidos por conta da volatilidade observada nos dados de curto prazo, e que o BC não sabe para qual taxa terminal deve se encaminhar os juros.

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