Até onde pode chegar o preço do petróleo em meio a tensões globais
Escalada no Oriente Médio, oferta restrita e decisões de grandes produtores colocam o barril no centro das atenções do mercado
O preço do petróleo voltou ao centro das atenções dos mercados globais em meio à escalada das tensões geopolíticas e às dúvidas sobre a oferta da commodity. Com conflitos envolvendo Irã e Israel, além do envolvimento dos Estados Unidos, investidores já revisam suas projeções e avaliam até onde o barril pode chegar nos próximos meses.
Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas mais relevantes para o escoamento global de petróleo. O bloqueio da passagem elevou significativamente o nível de risco no mercado e ajudou a impulsionar os preços. “Estamos vivenciando um momento de bastante agitação no mercado global de combustíveis. Com o aumento das tensões e o fechamento do Estreito de Ormuz, que é o principal canal de escoamento de petróleo, vimos uma das maiores escaladas de preços da década, com alta superior a 75%”, afirma Bruno Perottoni, diretor de tesouraria do Braza Bank.
Segundo o executivo, a tendência no curto e médio prazo ainda é de preços elevados. “Estimamos a manutenção do petróleo acima de US$ 90 por barril por um período prolongado. Mesmo com possíveis aumentos de produção em outros países, não deve haver oferta suficiente para pressionar uma queda relevante nos preços”, diz.
Na avaliação de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o principal ponto de atenção está no desequilíbrio imediato entre oferta e demanda. “Cerca de 20% do petróleo global passa pelo Estreito de Ormuz. Quando essa rota é interrompida, você retira uma fatia relevante da oferta e o mercado reage rapidamente”, explica.
O estrategista ressalta que, em cenários de escassez, a reação dos preços tende a ser desproporcional. “Se você precisa de petróleo e ele não está disponível, o preço pode subir de forma muito rápida, porque não existe substituição imediata. É um mercado com alta sensibilidade no curto prazo”, afirma.
Apesar da pressão atual, William pondera que esse movimento pode não se sustentar no longo prazo. “Os contratos futuros indicam que o mercado ainda espera uma normalização, com preços mais próximos de US$ 70 em horizontes mais longos, o que sugere que esse estresse é pontual e depende diretamente da duração do conflito”, diz.
A dinâmica da oferta segue no radar, com a atuação de grandes produtores reunidos na OPEP e decisões de países como Arábia Saudita e Rússia influenciando diretamente o equilíbrio do mercado. Ao mesmo tempo, a tentativa de articulação internacional liderada por Donald Trump para conter o conflito ainda enfrenta dificuldades de adesão entre outros países.
Em um cenário de prolongamento das tensões, a pressão pode se intensificar ao longo do ano. “Se tivermos uma duração mais longa do conflito, especialmente com a chegada do inverno no hemisfério norte, a demanda por energia tende a subir, o que pode levar o petróleo a patamares ainda mais elevados no segundo semestre”, acrescenta Perottoni.
No Brasil, a trajetória da commodity tem impacto direto sobre os preços dos combustíveis e a inflação, além de influenciar o desempenho de empresas como a Petrobras e o comportamento do Ibovespa. O cenário também permanece no radar do Banco Central do Brasil, especialmente em um momento de discussão sobre os rumos da política monetária.





