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Ata do Copom mantém tom duro e reforça preocupação com agenda fiscal

Para além das divergências entre os diretores, documento diz que futuro da política monetária dependerá cada vez mais das expectativas de inflação

Por Juliana Machado 14 Maio 2024, 11h43

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, realizada na semana passada, trouxe explicações para os motivos da divergência entre os membros do órgão em relação a um corte da taxa Selic de 0,25 ponto percentual ou de 0,50 pp, além de reforçar o tom mais duro sobre o futuro da política monetária e as preocupações com o andamento da agenda fiscal no Brasil.

O documento, divulgado nesta terça-feira, 14, deixa claro que o principal ponto de divergência entre os diretores do BC foi seguir ou não o “foward guidance”, ou seja, os indicativos da reunião anterior, quando o comitê havia apontado para um corte de 0,50 pp. Na leitura dos membros do Copom que votaram pela redução de 0,25 pp da Selic, a situação se deteriorou substancialmente, a ponto de exigir uma mudança no ritmo de cortes. Para esse grupo, mais importante do que o risco reputacional de não seguir o “guidance” é a perda de credibilidade no compromisso de combater a inflação.

No caso do segundo grupo, composto pelos membros indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que votaram por uma redução maior da Selic, de 0,50 pp, a preocupação se deu justamente em relação ao risco reputacional de abandonar o “guidance” dado anteriormente. O importante, para eles, era seguir o indicado na reunião anterior, reforçando que não há leniência com a inflação, e sim um “firme compromisso” com a meta, já que um corte maior ainda manteria a Selic em patamar contracionista.

Apesar de jogar luz sobre as divergências entre os diretores, a ata não abandonou o tom duro já trazido pelo Copom no comunicado da semana passada, em que o futuro da política monetária dependerá cada vez mais de dados e da ancoragem das expectativas de inflação. No cenário externo, a preocupação é em relação principalmente ao ciclo de quedas do juro nos Estados Unidos, que reforça a necessidade de cautela. Isso porque houve uma reprecificação do ciclo de cortes dos juros americanos, “com redução de sua extensão e postergação de seu início”.

Além disso, a ata também deu ênfase à política fiscal praticada no Brasil. Na leitura do Copom, houve “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal” e incertezas em relação à estabilização da dívida pública, elementos que têm efeito inflacionário para a economia — e, portanto, têm potencial para fazer com que os juros sigam elevados. A preocupação com a agenda fiscal e a piora do cenário externo são os fatores principais para a desancoragem das expectativas de inflação, segundo o comitê.

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