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Os riscos do descontrole fiscal e da inflação persistente, segundo o BC de Galípolo

O Copom divulgou nesta terça-feira a ata de sua última reunião, em que decidiu elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, a 13,25% ao ano

Por Camila Pati Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 fev 2025, 09h20 • Atualizado em 4 fev 2025, 12h37
  • O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou, nesta terça-feira, 4, a ata de sua última reunião, em que decidiu elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, levando a taxa a 13,25% ao ano. O documento destaca que o cenário externo é desafiador e que a inflação segue resistente, impulsionada pelo aquecimento do mercado de trabalho, política fiscal expansionista e crédito amplo.

    Além disso, o comitê alerta que a percepção do mercado sobre a sustentabilidade da dívida pública tem impactado preços de ativos e expectativas econômicas, reforçando a necessidade de maior disciplina fiscal para evitar pressões sobre os juros. O comitê prevê mais uma alta de 1 ponto percentual na próxima reunião, março, e deixou a porta aberta para mais elevações. A expectativa do mercado é que a Selic feche o ano a 15% ao ano.

    Apesar da política monetária restritiva, o Copom observa que a atividade econômica continua robusta, com consumo e investimentos crescendo em ritmo forte. No entanto, há sinais iniciais de moderação em setores mais sensíveis ao crédito.

    “A inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta e novamente apresentaram elevação nas divulgações mais recentes”, afirma a ata. O comitê também apontou que as expectativas para a inflação de 2025 e 2026 subiram para 5,5% e 4,2%, respectivamente.

    O documento reforça que a falta de disciplina fiscal e o aumento do crédito direcionado podem elevar a chamada taxa de juros neutra – o nível de juros que mantém a economia equilibrada sem pressionar a inflação. Isso compromete a eficácia da política monetária e eleva o custo do processo de desinflação. “O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”.

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    O debate do Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas. “No período recente, a percepção dos agentes econômicos sobre o regime fiscal e a sustentabilidade da dívida seguiu impactando, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes”, diz a ata.

    A ata indica que o cenário de curto prazo para a inflação deve continuar acima da meta estipulada para este ano, que é de 3%, com limite de tolerância até 4,5%. “Foi destacado, na análise de curto prazo, que, em se concretizando as projeções do cenário de referência, a inflação acumulada em doze meses permanecerá acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta nos próximos seis meses consecutivos. Desse modo, com a inflação de junho deste ano, configurar-se-ia descumprimento da meta sob a nova sistemática do regime de metas”, diz a ata. 

    O Copom reafirmou que continuará monitorando a inflação, a atividade econômica e as expectativas do mercado para definir os próximos passos da política de juros.

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