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As lições para investir em crédito privado sem sustos em 2026

Após perder dinheiro com os títulos de dívida de empresas como Braskem, Ambipar e Banco Master, os investidores terão de ser muito mais rigorosos

Por Ana Paula Ribeiro 19 dez 2025, 06h00 •
  • Por dois anos, investir em títulos de crédito privado foi sinônimo de bom retorno e pouco susto, mas 2026 chega com uma mudança de tom. Esses papéis ainda serão importantes nas carteiras, mas sua escolha será mais cuidadosa. Para os gestores, é hora de equilibrar proteção e liquidez. “O ambiente será mais desafiador para obter retornos acima da média”, diz Victor Tofolo, chefe de crédito da gestora Bradesco Asset Management. Durante a maior parte de 2025, o crédito privado apresentou uma compressão dos spreads, ou seja, o prêmio adicional pago em relação aos títulos públicos de prazo semelhante encolheu até ficar abaixo da média histórica. Historicamente, esses papéis pagam um prêmio de 1,80% sobre títulos públicos semelhantes. No primeiro semestre, esse spread chegou a ficar abaixo de 1%, se recuperou um pouco e estava em 1,15% ao fim de novembro. Na prática, significa dizer que o investidor recebeu um retorno menor pelo risco de emprestar dinheiro a empresas privadas. Isso foi visto nas debêntures incentivadas ou não, nos papéis bancários (CDBs, LCIs e LCAs) e nos certificados de recebíveis (CRIs e CRAs).

    A expectativa é que os spreads voltem a ficar mais próximos à média histórica, mas os investidores serão mais cuidadosos com a qualidade de crédito das empresas. Trata-se de uma reação aos sustos recentes com papéis de companhias como a Braskem, cujos títulos de dívida derreteram com a piora de seus resultados, a Ambipar, que pediu recuperação judicial nos Estados Unidos em outubro, e com a liquidação extrajudicial do Banco Master determinada pelo Banco Central em novembro. “Esses eventos foram educativos”, diz Daniela Gamboa, estrategista da SulAmérica Investimentos. “Com os investidores mais cautelosos, o dinheiro irá para fundos menos arriscados, com liquidez e baixo risco.” Para Gamboa, os CDBs de bancos de primeira linha atendem a esses requisitos, mas as debêntures incentivadas ainda apresentam grandes atrativos, devido à isenção do imposto de renda.

    arte títulos privados

    Em 2026, esses papéis contarão com um empurrão adicional do calendário de concessões. Somente o Ministério dos Transportes planeja 21 leilões, totalizando 288 bilhões de reais em investimentos. Os consórcios vencedores colocarão um volume considerável de debêntures incentivadas no mercado para captar os recursos que bancarão as obras. Com muitas concessionárias disputando o dinheiro, a balança pesará a favor dos investidores. “Os emissores das debêntures oferecerão spreads maiores para captar rapidamente”, afirma Antônio Emílio Ruiz, chefe da área de fundos de crédito privado da BB Asset Management. Mesmo a esperada queda da taxa Selic não reduzirá a atratividade desses papéis. “Os juros teriam que cair muito para justificar uma migração acelerada de recursos para a renda variável.” Além disso, os emissores de títulos de dívida também se beneficiarão com os juros menores, pois reduzirão os riscos de inadimplência.

    Mesmo com tantos fatores favoráveis, a janela de emissões será fechada com o início da corrida presidencial, a partir de meados de 2026. Trata-se de um movimento típico de anos eleitorais, quando o mercado desacelera para evitar a volatilidade gerada pelo vaivém das pesquisas de intenção de voto. É por isso que os gestores afirmam que o volume total de operações não repetirá o de 2025. Isso não significa que o investidor deve correr para comprar qualquer papel até junho. “O investidor deve saber exatamente por que está comprando cada ativo”, diz Lucas Constantino, estrategista-chefe da GCB Investimentos. No mercado de títulos privados, a pressa não renderá bons negócios em 2026.

    Publicado em VEJA, dezembro de 2025, edição VEJA Negócios nº 21

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