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Após decisão nos EUA, Cristina Kirchner diz que não dará o calote

Para tentar acalmar investidores, presidente argentina afirmou que o país vai arcar com suas obrigações que vencem em 30 de junho

Por Da Redação - 16 jun 2014, 22h48

Após a derrota sofrida pela Argentina nesta segunda-feira na Suprema Corte dos Estados Unidos seguida da queda de mais de 10% do índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, a presidente Cristina Kirchner se apressou em tentar acalmar os investidores. Disse em discurso transmitido em rádio e TV que o país honrará a dívida pública e que não se surpreendeu com a decisão da Justiça, que rejeitou um recurso da Argentina na disputa legal envolvendo credores americanos. “A Argentina não tem por que ser submetida a esta extorsão”, já que a decisão “envolve todo o sistema financeiro internacional”, disse a presidente, contestando os valores exigidos pelos fundos de hedge que detêm papéis da dívida do país.

A proposta de Cristina é que o país arque com os 1,5 bilhão de dólares em juros devidos aos fundos de hedge que compraram títulos da dívida argentina nos anos 2000, apelidados de ‘fundos abutres’. Contudo, caso o país aceite as condições definidas pela Justiça dos Estados Unidos em relação aos fundos, haverá jurisprudência para que os demais investidores também busquem receber os juros. Caso isso ocorra, a dívida pode avançar para 18 bilhões de dólares.

Cristina negou rumores de calote da dívida e afirmou que os 900 milhões de dólares que vencem em 30 de junho serão pagos. “Já autorizei o ministro da Fazenda para que disponha de todos os instrumentos para que recebam os dólares”, afirmou.

Calote – A Argentina argumentou nesta segunda-feira que o governo teria dificuldades para pagar os detentores de títulos na íntegra e, ao mesmo tempo, reestruturar sua dívida. Os detentores da dívida contestam essa avaliação, dizendo em sua própria ação judicial que há evidências apresentadas em instâncias inferiores de que a Argentina poderia pagar o montante.

Se a Argentina continuar a postergar o pagamento da dívida, autoridades dos EUA podem impedir o pagamento integral aos credores titulares de títulos reestruturados, mesmo que o país seja capaz de honrá-los. Isso poderia resultar em default antes de 30 de junho, quando os pagamentos são feitos. O risco-país argentino, medido pelo índice JP Morgan EMBI+, subiu cerca de 10 pontos básicos após a decisão da Corte.

A Argentina está tentando evitar o pagamento integral a credores liderados pelos fundos de hedge Aurelius Capital Management e NML Capital Ltd, unidade do Elliott Management Corp, do bilionário Paul Singer. O governo local ainda não comentou a decisão, mas a agência de notícias estatal Telam informa que a presidente Cristina Kirchner faria pronunciamento na TV nesta noite.

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