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AIE diz que mundo se encaminha para futuro energético insustentável

Por Da Redação - 9 nov 2011, 13h15

Judith Mora.

Londres, 9 nov (EFE).- A Agência Internacional de Energia (AIE) advertiu nesta quarta-feira que ‘o mundo se encaminhará para um futuro energético insustentável’ se os Governos não adotarem ‘medidas urgentes’ para otimizar os recursos disponíveis.

Em entrevista coletiva em Londres na apresentação do relatório anual, a AIE pediu aumento de um terço da demanda de energia nos próximos 25 anos, o que requer investimentos para evitar a escassez de recursos e o risco de mais emissões nocivas ao ambiente.

‘Cada vez resta menos tempo, mas ainda é possível adotar medidas. É preciso atuar agora’, clamou a diretora-executiva da Agência, Maria van der Hoeven.

Para AIE, daqui até 2035 seria necessário investimento mundial de US$ 38 trilhões em infraestrutura energética – dois terços em estados fora da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) – para atender a crescente demanda, 90% para abastecer os países emergentes como China e Índia.

Conforme a agência, a China será em 2035 o maior consumidor de energia mundial, apesar de os Estados Unidos continuarem na liderança do consumo per capita.

Esse investimento, do qual US$ 20 bilhões corresponderiam a petróleo e gás, deveria ser dirigido a diversificar recursos e melhorar a eficiência energética, principalmente em países como a Rússia, onde ocorre muito desperdício.

O economista-chefe da agência, Fatih Birol, previu que até 2035 a dependência de combustíveis fósseis será reduzida dos 81% atuais para 75%, apesar de o petróleo continuar como principal fonte de energia, com possível avanço do carvão.

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Calcula-se que dentro de 25 anos, as energias renováveis constituirão 15% do abastecimento – atualmente são 13% -, desde que haja incremento dos subsídios para US$ 250 bilhões no período, frente aos US$ 409 bilhões atuais.

Embora as pressões econômicas atuais tenham reduzido o preço do petróleo, o produto continua em alta e a previsão é que esteja em US$ 120 em 2035, o que pode subir para US$ 150, se a principal região produtora (o Oriente Médio e o Norte da África) não fizer, como é provável, investimentos de US$ 100 bilhões anuais, assinalou Birol.

‘A nova situação política nestes países após as revoltas pode alterar as prioridades de investimento, com foco em demandas sociais e outras necessidades ao invés do petróleo’, advertiu o economista.

Pelos seus cálculos, a demanda mundial de petróleo crescerá de 87 milhões diários de barris em 2010 para 99 milhões de b/d em 2035, principalmente devido ao crescimento da frota de automóveis em países emergentes.

Enquanto o gás natural se consolida como uma das principais fontes de energia nos próximos 25 anos – a AIE fala de uma ‘idade de ouro’ desse combustível -, o desastre da central japonesa de Fukushima semeou dúvidas sobre o futuro da energia nuclear.

Frente à decisão de alguns países, como a Alemanha, de abandonar seus programas de energia nuclear, Van der Hoeven alertou que isso pode gerar para esses estados ‘insegurança energética e incremento das importações’, além de ‘dificultar a luta contra a mudança climática’.

Com relação à situação ambiental, a diretora ressaltou que ‘a porta está se fechando’ para alcançar o objetivo fixado nas cúpulas internacionais de manter o aquecimento do planeta abaixo dos dois graus centígrados.

Sem investimentos e um compromisso global vinculativo ao ambiente, com a infraestrutura atual (de fábricas e carros) as emissões permitidas até 2035 para cumprir com o objetivo de 2 graus terão se esgotado em 2017, advertiu. EFE

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