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Aeroporto de Natal: a 15 meses da Copa, 85% da obra está por fazer

Concessionária garante que aeroporto de São Gonçalo do Amarante, a 10 quilômetros da capital do Rio Grande do Norte, estará em pleno funcionamento antes do início da Copa do Mundo de 2014

Por Ana Clara Costa 14 mar 2013, 08h00

O Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, localizado a dez quilômetros de Natal, no Rio Grande do Norte, deverá receber cerca de 6 milhões passageiros ao ano a partir de 2014, quando, em teoria, estará funcionando a pleno vapor durante os jogos da Copa do Mundo do Brasil. Tal tarefa é desafiadora para o consórcio Inframérica, que detém o controle de 100% do empreendimento. Isso ocorre porque o aeroporto ainda não existe. Com previsão de início de operação em junho de 2014, apenas 15% da obra está concluída.

Segundo informações do consórcio Inframérica, que arrematou o direito de executar a obra em 2011, no primeiro leilão aeroportuário feito pelo governo brasileiro, o fato de 85% do projeto ainda não ter sido executado não é preocupante. Tal porcentual está dentro do cronograma, segundo dados da assessoria de imprensa do consórcio. Também consta no cronograma a data de conclusão do aeroporto: março de 2014.

A reportagem do site de VEJA visitou o local em outubro do ano passado, quando havia apenas uma pista e o início da fundação do terminal de passageiros. À época, o diretor da obra, Ibernon Martins Gomes, havia afirmado que o aeroporto seria entregue ainda no final de 2013. “Em 2014, serão feitos apenas os ajustes”, disse o engenheiro da construtora Engevix, que divide com a argentina Corporación América o controle do consórcio.

Segundo o contrato de concessão, o Inframérica não tem a obrigação de entregar o aeroporto antes da Copa. A previsão inicial era de que a obra fosse concluída em 2015 – e todo o fluxo de turistas que chegasse em Natal para o mundial fosse atendido pelo aeroporto Augusto Severo, em Parnamirim, na região metropolitana da capital. Contudo, é de total interesse do Inframérica faturar a receita gerada no período dos jogos – daí a intenção de tentar cumprir o cronograma antecipado.

Ao longo do ano passado, houve atraso na liberação das licenças ambientais e também na linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A aprovação do financiamento foi dada apenas em novembro, um mês após a aprovação do crédito para o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, cujo leilão ocorreu um ano depois, em 2012. A obra de São Gonçalo do Amarante é estimada em 450 milhões de reais – sendo 329,3 milhões provenientes da linha de crédito do BNDES e o restante de investimentos do consórcio.

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A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que homologa as obras aeroportuárias, reiterou que não tem controle sobre o cronograma de andamento das construções. Apenas afirmou que a concessionária tem até três anos, a partir da data do contrato (assinado em 24/01/2012), para construir os terminais – e um prazo de mais 25 anos para exploração do empreendimento. “Porém, é de interesse do operador realizar as obras e estar com o aeroporto funcionando o quanto antes, o que é permitido e incentivado pelo contrato”, disse a Anac, em comunicado.

Ainda que o consórcio consiga concluir os terminais em tempo, há obstáculos mais graves. As obras de acesso ao aeroporto – que fica em uma região afastada da cidade e longe de grandes rodovias – ainda não começaram e estão sob responsabilidade do governo do estado, que já liberou 70 milhões de reais para amplar as BRs que ligarão a área à capital potiguar. O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), visitou o aeroporto no início desta semana, mas não demonstrou qualquer intenção de empreender esforço político para apressar a construção das vias de acesso a tempo para o mundial.

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