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Acordo de livre comércio de carro entre Brasil e México começa nesta terça

Montadoras dos dois países poderão exportar e importar produtos sem barreira comercial, como impostos de importação

Brasil e México assinaram um acordo de livre-comércio de veículos leves que começa a valer a partir desta terça-feira, 19. Na prática, montadoras instaladas no dois países poderão exportar e importar produtos sem barreira comercial como impostos de importação. Até agora, o acordo entre as duas partes previa cotas isentas de impostos.

Segundo os ministérios da Economia e Relações Exteriores, a medida está prevista no Acordo de Complementação Econômica 55, que regula o comércio automotivo e a integração produtiva entre os dois países desde 2002.

O fim do regime de cotas para veículos leves estava previsto desde 2015. Agora, o comércio bilateral de automóveis passa a ocorrer livremente, sem cobrança de tarifas ou limitação quantitativa. A partir de hoje, também deixa de vigorar a lista de exceções, que previa regras de origem específicas para autopeças.

“O retorno ao livre-comércio automotivo entre Brasil e México é passo importante para aprofundar o relacionamento comercial entre as duas maiores economias da América Latina”, segundo nota divulgada pelos ministérios.

A partir de 2020, está previsto o livre-comércio também para veículos pesados (caminhões e ônibus) e autopeças.

“O governo brasileiro tem grande interesse em ampliar o livre-comércio com o México para outros setores, tanto industriais quanto agrícolas, com a inclusão de matérias sanitárias e fitossanitárias, facilitação de comércio e barreiras técnicas ao comércio”, afirmou o governo.

Crise nas montadoras no Brasil

Desde o começo do ano, duas grandes montadoras já ameaçaram ou anunciaram o fechamento de plantas no país, especificamente no Estado de São Paulo.

A primeira foi a General Motors. Com fábricas em São Caetano do Sul e São José dos Campos, a empresa informou, em janeiro, que poderia acabar com suas atividades no país caso seus lucros não voltassem.

No entanto, depois de diversas negociações com sindicatos, prefeituras, estados e governo federal, a empresa voltou atrás. Visando à redução de custos, a montadora tem prometido aos setores um programa de investimentos no valor de 10 bilhões de reais, para renovar a linha de produtos. 

Depois da GM, foi a vez de a Ford anunciar o fechamento de sua fábrica em São Bernardo do Campo. Dessa vez, no entanto, a decisão parece ser mais concreta. Diversas instâncias do governo já trabalham com a possibilidade de venda da planta, para uma outra empresa automotiva. Os incentivos anunciados pelo governador João Doria (PSDB) também podem beneficiar esse possível comprador.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC ainda negocia com a Ford, em busca de reverter o quadro. Porém, em reunião na matriz da empresa nos Estados Unidos, foi sinalizado que a planta que produz modelos Cargo, F-4000, F-350 e Fiesta vai fechar. 

(Com Estadão Conteúdo)