Ações de dona do Ozempic derretem mais de 16% após decepção com novo medicamento
Estudo prova que CagriSema é menos eficaz que tirzepatida, princípio ativo de Mounjaro, medicamento da rival Eli Lilly
As ações da Novo Nordisk (NOVOb), farmacêutica dinamarquesa dona do Ozempic e do Wegovy, despencaram quase 16,5% nesta segunda-feira, 23, na Bolsa de Copenhague, após resultados decepcionantes de seu medicamento experimental de emagrecimento, CagriSema, em um estudo clínico comparativo.
O ensaio de 84 semanas, que envolveu testes em pacientes com obesidade, foi desenvolvido para demonstrar que o CagriSema era pelo menos tão eficaz quanto a tirzepatida, princípio ativo dos medicamentos Mounjaro e Zepbound da rival Eli Lilly. O objetivo principal, contudo, não foi atingido, gerando uma reação imediata e negativa do mercado. O CagriSema — combinação de semaglutida com cagrilintida — proporcionou perda média de peso de 23%, um resultado abaixo dos 25,5% alcançados pela tirzepatida, o que fez os papéis da Eli Lilly avançarem 3,5% no pregão em Wall Street.
As ações da Novo Nordisk fecharam o dia cotadas em torno de 251 coroas dinamarquesas (aproximadamente 205 reais), o menor patamar desde 2021. No acumulado dos últimos 12 meses, os papéis já haviam perdido quase metade do valor, agravando um período de pressão que inclui queda de preços nos Estados Unidos após um acordo com o governo Trump para reduzir os custos de medicamentos para os consumidores e o fim de exclusividades de patentes em mercados como Canadá, Brasil, Índia e China.
Apesar da queda nas expectativas com o novo remédio, o diretor-científico da Novo Nordisk, Martin Holst Lange, afirmou que o CagriSema tem potencial para se tornar o primeiro tratamento combinado dos hormônios GLP-1 e amilina aprovado para obesidade. A empresa também pretende conduzir novos ensaios para explorar o potencial máximo do medicamento, incluindo testes com doses mais elevadas e diferentes combinações. Com isso, suas projeções para 2026 vêm mais cautelosas, com expectativa de queda nas vendas e lucros, com variação de 5% e 13% em cenários mais otimistas, pressionada pela concorrência direta da Lilly e pelo aumento de opções mais acessíveis no mercado farmacêutico.





