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Abiplast: preço da resina subirá entre 10% e 15%

Por Da Redação - 6 out 2011, 16h06

Por André Magnabosco

São Paulo – A disparada do dólar nas últimas semanas chegou ao bolso dos transformadores plásticos. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), a Braskem e a Dow, as duas principais fornecedoras de resinas do mercado brasileiro, anunciaram nos últimos dias aumentos da ordem de R$ 600 a R$ 700 por tonelada neste mês. O valor equivale a um reajuste entre 10% e 15% para as diferentes resinas vendidas no mercado doméstico. Em setembro, o setor já havia anunciado alta de aproximadamente 5%, segundo a Associação.

O reajuste é explicado pela valorização do dólar, que tem duplo efeito sobre a indústria plástica brasileira. O primeiro é a elevação dos preços da resina importada e consequente ajuste dos fabricantes locais aos novos valores adotados internacionalmente. O segundo está no aumento dos custos dos fabricantes de resinas, cujas compras são baseadas em valores dolarizados. É o caso, por exemplo, da nafta importada ou da nafta fornecida pela Petrobras à Braskem, a qual tem referência de preços em dólar.

Para os transformadores, no entanto, o repasse tem efeito único de aumento de custos e perda de margens. “Esta situação somente amplia as pressões inflacionárias no mercado brasileiro, diminui a competitividade e aumenta a vulnerabilidade da indústria brasileira de transformação do plástico”, destaca em nota o presidente da Abiplast, José Ricardo Roriz Coelho.

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A Associação destaca ainda que o reajuste anunciado para outubro está “totalmente fora do contexto internacional”, onde alguns preços chegaram a cair mais de 10% no último mês por conta das incertezas acerca do futuro de grandes economias. “A demanda mantém-se estagnada por uma crise de dimensões ainda não estimadas, e os preços tanto do petróleo quanto dos insumos utilizados para fabricação das resinas estão em queda”, ressalta a Abiplast.

A questão cambial, entretanto, tem efeito relevante no mercado brasileiro, onde as fabricantes adotam política comercial de manter valores alinhados àqueles usados pelos grandes grupos globais. A Braskem é a únicafabricante de resinas como polietileno e polipropileno do País e a Dow é outra grande fornecedora, com vendas a partir de complexo instalado na Argentina.

De acordo com a Abiplast, os preços das resinas vendidas no Brasil permanecem quase 35% acima dos valores praticados no mercado internacional, consequência da existência de alíquotas de importação e direitos antidumping aplicados contra PVC e polipropileno importados.

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