A peneira do BC começa a enxugar o mercado de criptomoedas
Coinext é a baixa mais recente; prazo para pedir autorização termina em outubro e setor já teme nova leva de saídas
A nova regulação das criptomoedas começa a redesenhar o mercado brasileiro antes mesmo de entrar plenamente em vigor. Coinext, Digitra, NovaDAX, Bitso e Bitnuvem já anunciaram a saída do varejo ou o encerramento das operações no país. Nem todas atribuem formalmente a decisão às regras do Banco Central, mas, em pelo menos dois casos, o custo para se enquadrar na nova régua aparece de forma explícita.
A Coinext, baixa mais recente, informou que não atingiu o capital regulatório mínimo exigido e concluiu que não havia fundamento econômico para solicitar autorização ao BC. A Digitra, que tinha cerca de 200 mil clientes, também vinculou a decisão às novas exigências de capital, tecnologia e governança. Já a Bitnuvem, que afirma ter movimentado 1,5 bilhão de reais em sete anos, cita uma regulamentação cada vez mais desfavorável às fintechs entre os motivos para fechar as portas.
O teste mais duro, porém, ainda está por vir. O prazo para que as empresas protocolem o pedido de autorização termina em 30 de outubro. Depois disso, instituições autorizadas pelo BC não poderão viabilizar negócios com prestadoras de serviços de ativos virtuais que não tenham licença ou processo de autorização em andamento.
O setor já pediu ao Banco Central mais 120 dias para se adaptar. Uma das justificativas dá a dimensão do aperto: cerca de 80% dos projetos de certificação técnica em andamento ainda estavam com menos de 30% do trabalho concluído. A consequência pode ser uma nova rodada de desistências — e um mercado cada vez mais concentrado nas mãos das exchanges com capital e estrutura para suportar uma regulação que começa a se aproximar da exigida dos bancos.







